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 Nova Zelândia

    A Nova Zelândia é um país de contrastes, com floresta nativa densa, montanhas cobertas de neve e um litoral espetacular. Com regiões vinícolas em expansão ocupando latitudes de 36 a 45 graus numa extensão de 1600 km, as uvas crescem em uma ampla gama de microclimas e tipos de solo, produzindo uma grande variedade de estilos. A parcela equivalente dessa ocupação no hemisfério norte iria de Bordeaux (44-46º) até o sul da Espanha.

   O Sauvignon Blanc da Nova Zelândia é reconhecido mundialmente como a referência definitiva para essa variedade. Cerca de 42% da área de vinhedos do país é de Sauvignon Blanc.

   O reconhecimento crescente para os vinhos de Chardonnay, Pinot Noir, Espumantes por método tradicional, Riesling, cortes de Cabernet Sauvignon e Merlot têm contribuído para consolidar a posição do país como um produtor de vinhos de classe mundial.

    A Nova Zelândia tem dez regiões vinícolas principais, cada uma apresentando grande diversidade de clima e solo. As diferenças de clima podem ser ilustradas pela variação da data da colheita de Chardonnay: enquanto nas regiões mais amenas e úmidas de Northland, Auckland e Gisborne a colheita deve começar em final de fevereiro ao início de março, em Central Otago os vinhedos de Chardonnay mais ao sul no mundo são colhidos a partir de meados de abril – uma diferença de 6 a 7 semanas.

    

  A produção em larga escala na Nova Zelândia só começou na década de 1970


  As altas temperaturas de nosso verão despertam nos enófilos o desejo de beber vinhos frutados e de boa acidez, de preferência brancos, para refrescar e acompanhar pratos mais leves. Nessas circunstâncias, os vinhos neozelandeses são um dos primeiros a serem lembrados.

  A Nova Zelândia é a região produtora mais isolada do planeta, um conjunto de ilhas a cerca de 1600 km da já distante Austrália. Embora sua produção não seja muito expressiva, a qualidade alcançada por seus vinhos em um curto espaço de tempo lhe valeu merecido destaque no cenário mundial.

  Não existe região vinícola que produza vinhos num território tão austral quanto a Nova Zelândia. Sua zona produtora localiza-se entre os paralelos 35° e 44° de latitude sul, correspondendo, em termos europeus, ao sul da Espanha e à Côte-du-Rhône. Entretanto, seu clima é bem mais frio do que o destas regiões do Velho Mundo, pois, embora as latitudes sejam as mesmas, a falta de massa continental ao seu redor faz com que suas temperaturas sejam consideravelmente mais baixas, o que garante uma vocação bastante diversa quanto às castas de uvas ali plantadas e o estilo de seus vinhos.

  Sua história vitivinícola é bem recente, pelo menos a de boa qualidade, uma vez que a elaboração de vinhos a partir da vitis vinifera em larga escala só se iniciou em 1970. Já nos anos 80, seus Sauvignon Blancs e Chardonnays começaram a ter reconhecimento internacional.

  Os primeiros vinhedos foram plantados em 1840 em Kerikeri, Bay of Island, Ilha do Norte, pelo missionário anglicano Samuel Mardsen. Entretanto, os primeiros vinhos só começaram a ser produzidos 20 anos mais tarde, como confirma o depoimento do explorador francês Dumont d'Urville, que nos fala no livro "The Wines and Vineyards of New Zealand", de "uma latada (treliça) em que floresciam várias parreiras...com grande prazer pude provar o produto do vinhedo que acabara de ver. Fui servido de um leve vinho branco, muito espumante, e delicioso ao paladar, que apreciei imensamente." Como se vê, já se prenunciava a grande vocação da região para os refrescantes vinhos brancos.

  Alguns fatos, no entanto, conspiraram para a que viticultura não prosperasse de forma desejável. Em primeiro lugar, a população de origem era predominantemente inglesa, mais voltada para o consumo da cerveja, embora a elite apreciasse o vinho. Mas, neste caso, o fermentado tinha que ser um Bordeaux, um Jerez ou um Porto europeu.

  Depois, a fundação da New Zealand Temperance Society, em 1836, que pregava a proibição de toda bebida alcoólica, da mesma forma como viria ocorrer no século seguinte nos Estados Unidos. Seu poder foi muito grande entre os anos 1881 e 1918, vindo a frustrar os esforços do governador viticulturista Romeo Bragato, que muito fez pela melhoria da qualidade do vinho neozelandês entre os anos 1895 e 1909.

  A isso tudo deve-se somar as sequelas da praga da filoxera, que também atingiu estas ilhas distantes por volta de 1895. As consequências foram desastrosas, pois, ao invés de seguirem o exemplo europeu de plantar espécies de vitis vinifera enxertadas em "cavalos" de espécies americanas, optaram por plantar pura e simplesmente castas americanas híbridas, resistentes à praga, mas que dão origem a vinhos de baixíssima qualidade.  Assim, em 1960, a uva Isabella, conhecida na região por Albany Surprise, era a mais plantada no país.

  Com altos e baixos, chega-se aos anos 70, o interesse pelo vinho cresce e tem início uma importante revolução de qualidade no país. O estilo dos Sauvignon Blancs, Chardonnays e Pinot Noir neozelandeses começam a marcar presença. Nos nossos dias, o prestígio do país como produtor de vinhos de alta qualidade já está consolidado.

  Na Nova Zelândia operam atualmente 530 vinícolas (2016).

  A exportação é de 57,8 milhões de litros (43,5% da produção).

  O consumo no país é de 12,1 litros per capita - (9,9 em 2016)

 

 

 

Regiões vinícolas :

 

  • Auckland  

  • Canterbury  

  • Central Otago 

  • Gisborne 

  • Hawkes Bay 

  • Malrborough 

  • Nelson 

  • Northland 

  • Waikato - Bay of Plenty 

  • Wellington 

 

 Características de cada região:

 

 

 

NORTHLAND - Os primeiros vinhedos do país foram aqui plantados no início do século XIX. Depois de abandonada, o interesse pela vitivinicultura ressurgiu nos últimos anos e agora se expande. É a região de clima mais quente, portanto, mais adequada à Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay, as três castas mais cultivadas. O solo varia do argiloso ao argilo-arenoso, passando por regiões de subsolo vulcânico.

 AUCKLAND - Henderson, Kumeu e Huapai, situadas a noroeste da cidade de Auckland, são as mais tradicionais subrregiões desta zona. Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay são as uvas mais plantadas, embora também se encontre a Sauvignon Blanc e a Semillon. Os vinhos tintos são os de maior reputação.

 WAIKATO/BAY OF PLENTY - Pequena região ao sul de Auckland que começa a despontar. Chardonnays, Sauvignon Blancs e Cabernet Sauvignons de boa qualidade.

 GISBORNE - Situado no extremo leste da ilha, é o vinhedo mais oriental do planeta. Vinhas geralmente plantadas em planícies. Solos de calcárioargiloso sobre subsolo vulcânico ou arenoso. Tem 90% de uvas brancas, sendo metade de Chardonnay. Sem muita expressão em termos de qualidade.

 HAWKES BAY -  Perto da cidade de Napier, é uma das mais antigas regiões produtoras do país e também uma das de maior reputação, além de ser a segunda maior. A enorme variedade de solos propicia o plantio de várias cepas. Tem o maior número de horas/sol da Nova Zelândia graças a uma cadeia de montanhas que bloqueia as chuvas trazidas pelo vento. A Chardonnay predomina, embora o clima ensolarado atraia cepas tintas como a Pinot Noir e outras de amadurecimento mais tardio, como Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc e Syrah.

 WELLINGTON -  Ocupa a região mais ao sul da Ilha do Norte. Martinborough e Wairarapa são seus distritos mais famosos. A região se notabiliza pelos seus esplêndidos Pinot Noir e Sauvignon Blancs. A produção é pequena, mas de alta qualidade. O estilo de seus vinhos é muito semelhante aos de Marlborough, Ilha do Sul.

 NELSON -  Já na Ilha do Sul. Área de grande beleza natural e pequena produção. Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling e Pinot Noir ocupam quase a totalidade da área plantada.

 

 MARLBOROUGH -  Os primeiros vinhedos só foram plantados em 1973 e, no entanto, é hoje a região mais conhecida e de maior reputação do país. Seus Sauvignon Blancs são extraordinários, de grande riqueza e frescor. É também a maior produtora de espumantes elaborados a partir da Chardonnay e Pinot Noir, com as quais produz também vinhos tranquilos de altíssima qualidade. Vinhedos plantados em terraços planos às margens de rios. Solos pedregosos (os melhores) e argilosos.

 CANTERBURY -   Próxima à cidade de Christchurch, onde se plantaram os primeiros vinhedos nos anos 1970. Mais ao sul, fica a nova e promissora subrregião de Waipara. Verões longos e secos, com bastante insolação, e invernos rigorosos são a marca da região. Uvas mais plantadas em ordem decrescente: Chardonnay, Pinot Noir, Riesling e Sauvignon Blanc. É a quarta maior região do país.

 CENTRAL OTAGO -   Situada abaixo do paralelo 45, é a região produtora de vinho mais austral do mundo. Vinhedos plantados em altitude propiciam boa insolação e grande amplitude térmica. Muitos bons vinhos à base de Pinot Noir, Chardonnay, Sauvignon Blanc e Riesling.