© 2009 InfoVINHO I Confraria Black Tie

 

 Japão

 

 

   No Japão, existe um mangá (histórias em quadrinhos) que revela a história do vinho em terras nipônicas e dá as dicas, inclusive, de como se aprender sobre o assunto. Sob o título “Gotas dos deuses”, Tadashi Agi conta como o pai de Kanzaki Shizuku, que conhecia bem o assunto, deixa em seu testamento uma descrição contendo os 12 vinhos por ele classificados como os melhores do mundo. A partir daí nasce o vinho japonês, em meio a uma confusão nipônica de ganância e poder entre filhos e irmãos loucos pela bebida de Dionísio. E foi esse mangá que despertou e aguçou o interesse dos japoneses pela fabricação e consumo de vinhos.
o Japão produz 250,9 mil toneladas de uvas por ano  em 21,4 mil hectares; 27,7 mil toneladas em média são utilizadas na produção de vinho.

 

    O Japão cultiva vinhas desde o século VII, mas sempre voltado para a produção de uvas de mesa. Apenas 10% da safra anual é destinada a indústria vinícola, e muitos produtores locais reforçam seus produtos com extrato de uvas importado. O clima de monções do país dificulta muito a vida dos viticultores. Doenças fúngicas são ameaça constante nas regiões de Yamanashi e katsunuma. Na ilha do norte, o frio é a principal preocupação das propriedades de Hokkaido central. O vinho produzido com cepas japonesas tende a ser muito leves, mas a branca Koshu demonstra potencial. As cepas européias também são promissoras. Há Cabernet Sauvignon no oeste de Yamanashi e Chardonnay em Nagaro.

 

 

    O templo Daizenji em Katsunuma, na Prefeitura , a oeste de Tokio, é o lar espiritual da produção de vinho japonesa. De acordo com a lenda, um monge plantou as primeiras mudas no século VIII, embora seu interesse estivesse no poder de cura da uva. A produção de vinho desenvolveu-se somente no século XIX, mas o centro permaneceu Yamanashi, onde se encontra hoje a maior parte das cerca de 30 produtoras modernas. Vinhas crescem também em Nagano, ao oeste da Prefeitura, Yamagata ao norte da ilhas Honshu e em Hokkaido.

 

 

    Os vinicultores lutam com condições climáticas difíceis, como o Monsun (nas regiões central e sul), com invernos longos e intensos (no Norte), dificuldade de irrigação, solo ácido e alto custo da produção. A produção de uva no Japão é em grande parte para uva de mesa, não estando focada para servir como matéria-prima para o vinho. Isso se reflete nos tipos de uva e nos métodos de produção.

 

 

    A uva Vitis-labrusca  e seus híbridos, que foram introduzidos no século XIX pela América do Norte, tomam quase 80% do plantio de uva no Japão, de cerca de 25.000 hectares. Kôshû, a casta branca tradicional e uma Vitis-vinifera do século VIII, encontrada em Katsunuma gepflanzten Reben, formam a identidade da produção de vinho japonesa, mas não fornece o suficiente para o vinho. A uva é grande, rosada, mas apenas com muito trabalho é possível obter cor, sabor e corpo a partir dela.

 

 

    Castas européias são testadas desde os anos 60. A Seibel foi misturada com uma espécie japonesa, dando origem à uva Kiyomi, da qual é produzido vinho convencional com acidez semelhante ao Pinot Noir. Outros testes sucederam, dos quais resultou a uva Kiyomai (híbrido de Kiyomi com outra uva japonesa), que não necessita ser coberta pela terra para sobreviver ao inverno, tal ocorre com outras espécies, por exemplo a Kiyomi. As espécies de uva do norte europeu como a Müller-Thurgau e Zweigelt poderiam sobreviver em Hokkaido.

 

 

    Surpreendentemente são produzidos vinhos que se comparam aos importados, dentre os quais alguns de classe superior (Sémillon, Chardonnay, Cabernet, Merlot e Kôshû). Há 5 grandes empresas que produzem ¾ do total, dominando a indústria do vinho. Suntory produz o vinho caro e interessante "Château Lion", um corte de tinto Bordeaux, e um vinho de sobremesa Sémillon, concorrendo com o gigante dos Softdrinks Sanraku, que, sob o nome "Mercian" produz bons Chardonnay, Merlot e Cabernet. Com uma produção anual de cerca de 3 milhões de caixas, estas duas empresas dominam o mercado nacional. A Manns Wine trabalha principalmente com as uvas nacionais Kôshû e olho de dragão, assim como as uvas produzidas a partir dessas com espécies européias para resistir às chuvas. São produzidos Chardonnay e também um Cabernet armazenado em carvalho francês. Outros produtores importantes são Sapporo ("Polaire") e Kyowa Hakko Kogyo ("Ste. Neige"). Também as empresas familiares situadas em Yamanashi são importantes, como a Marufuji ("Rubiat"), Shirayuri ("L'Orient"), Maruki e a Château Lumière, de alta qualidade. Os standards de qualidade são exceção e assim provavelmente será: a maioria dos vinhos japoneses são cortes de vinho sulamericano e europeu do leste.

 

 

 

  Principais uvas cultivadas: Koshu, Neo Muscat, Ryugan (Senkoji), Chardonnay e Cabernet Sauvignon.

 

  Harmonizando Vinho e Sushi

 

A harmonização do sushi não está restrita a espumantes. Não existem restrições, o ideal é acompanhar a comida japonesa à base de peixe com vinhos espumantes, vinhos brancos secos e frutados ou até mesmo um tinto leve. Os sushis empanados harmonizam bem com os vinhos elaborados com uvas chardonnay.

Os espumantes do tipo brut são os mais indicados para o famoso prato japonês. Quanto ao vinho branco, pode se destacar o gewuztraminer e o Torrontés.
Vinho e sushi ainda é uma combinação pouco usual entre os consumidores brasileiros, pois as pessoas pouco conhecem a harmonização de sushi e espumante.

 

Vinho produzido para sushi


   Na região de Mendonza, na Argentina, é produzido o Oroya, exemplar feito especialmente para acompanhar sushi. “Vinho branco jovem, sem envelhecimento em barril elaborado com as castas Torrontés e Pinot Noir. A matiz amarela limão é clara e brilhante. Aromas de maçã e pêssego muito definido sobre um fundo floral. Sabor  ligeiramente ácido, fresco e límpido que se acentua no paladar”, analisa Jardênia. O bom mesmo é experimentar esta harmonização tão inusitada.