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 Israel

   Historicamente, Israel possui uma das mais antigas áreas viticultoras do mundo, mas só na década de 1880 o barão Edmond de Rothschild montou a primeira vinícola e estabeleceu uma indústria vinicultora moderna no país. Ainda assim, Israel ficou bem atrás do resto do mundo. Assolada por guerras e instabilidade durante décadas, a indústria foi negligenciada e forneceu à população  e judeus ortodoxos de todo o mundo vinho kosher basicamente de uma cepa, a Carignan. Finalmente, nos anos 80, uma importante revolução de qualidade começou a ganhar impulso: o plantio em grande escala de muitas cepas internacionais e investimentos maciços em tecnologia de ponta permitiram ao país extrair o melhor de seu terroir. Como as cepas autóctones se extinguiram, as mais cultivadas hoje são Cabernet Sauvignon, Chardonnay, Merlot, Sauvignon Blanc, Cabernet Franc e Muscat importadas. Conhecimentos externos, principalmente da Califórnia, também deixaram sua marca, conferindo a muitos vinhos da região clara assinatura do Novo Mundo.A indústria israelense ainda é principiante, mas tem mostrado talento e apresentado vinhos promissores que logo chamarão a atenção de outros países.

    Ao sul da fronteira com o Líbano, a Galiléia (Tiberia) é a região vinícola mais importante em termos de qualidade e inclui os distritos de Baixa Galiléia, Alta Galiléia, Colinas de Golan (a área mais fria de Israel) e Tabor. Os vinhedos mais ao norte das Colinas de Golan ficam até 1.200m de altitude; na Alta Galiléia, estão a cerca de 700m. No inverno é comum nevar nos pontos mais altos da Galiléia, e o calor do verão é temperado pelo vento frio do Monte Hermon, o que, combinado à longa exposição solar, confere aos frutos concentração difícil de se encontrar em outras áreas do país. As vinhas que mais se beneficiam das fantásticas condições da Galiléia são Cabernet Sauvignon, Merlot, Syrah, Chardonnay, Sauvignon Blanc, e Muscat.

Ao sul, na planície costeira do Mediterrâneo, a Samaria (Shomron) é a maior região vinícola de Israel. O clima tipicamente mediterrâneo torna os melhores vinhos elegantes e de aroma intenso. As principais cepas brancas são Chardonnay e sauvignon Blanc, e as tintas, Cabernet Sauvignon e Merlot.  Elas reaparecem mais ao sul, em Sansão (Shimshon), onde os vinhos brancos tendem a ser encorpados e intensamente frutados, e os tintos, grandes, densos e robustos.

   No interior, as Colinas da Judéia (Harey Yehuda) ainda não estão muito desenvolvidas e possuem alguns vinhedos ao norte de Jerusalém, em terraços ou vales estreitos de solo fino, limoso e pedregoso que resulta em exemplares excepcionais de vinhos ao estilo do Velho Mundo, sendo os melhores os brancos tipo Borgonha e os tintos tipo Bordeaux.

 

    Israel possui hoje 6.000 hectares de vinhedos, especialmente nas montanhas quentes da costa de Samson e Samaria (ainda a maior região produtora), produzindo as uvas Carignan, Grenache e Sémillon, que servem aos vinhos doces para fins religiosos. O interesse é especial para vinho “puro ou abençoado“.

 

    Na antigüidade, o Israel bíblico era o berço da uva e do vinho. Sabe-se, também, que os produtos vindos da Terra de Israel eram muito apreciados no mundo antigo, especialmente pelos gregos e romanos. Milhares de utensílios utilizados na fabricação do vinho, encontrados em Israel por arqueologistas, provam a existência passada de uma grande indústria vinícola na região.

    As vinhas, as uvas e o vinho delas resultante desempenham um papel especial na vida e no ritual judaico. A palavra "vinho" aparece 207 vezes na Torá; "vinhedo", 92; e "uva", 62. O vinho é a mais importante das bebidas, o que lhe assegura uma bênção especial. Os hebreus foram os primeiros a utilizar o vinho para santificar, desde o nascimento - o brit milá (circuncisão), - passando pela maturidade - o barmitzvá - até chegar ao casamento. O vinho está presente em cada Shabat, em Pêssach, Purim e Rosh Hashaná, entre outras festividades.

    Com a dispersão dos judeus, no século I da era comum, a produção do vinho na Terra de Israel foi interrompida. Na época moderna, o primeiro vinhedo foi estabelecido em Jerusalém, em 1884, pelo rabino Shore. Mas foi o Barão Edmond de Rothschild, proprietário da vinícola Chateau Lafitte, em Bordeaux, que investiu no desenvolvimento desta indústria, em Israel, introduzindo as técnicas francesas de vinicultura.

    Atualmente, o panorama mudou. Israel está de volta ao mapa dos enófilos e os vinhos casher, produzidos tanto lá, quanto em outros países, estão sendo apreciados no mundo todo. Vinicultores e supervisores rabínicos têm investido não somente tempo, como também muitos recursos para otimizar a produção e incrementar o paladar dos vinhos casher, utilizando para isto técnicas de preparo de vinhos clássicos franceses.

    Os responsáveis pela fabricação dos vinhos casher em Israel, na França, nos Estados Unidos e em outros países estão cada vez mais empenhados em obter produtos da melhor qualidade, sem descuidar dos preceitos religiosos que garantem a cashrut de seus produtos. Acreditam que os consumidores apenas de produtos casher apreciam os bons vinhos secos. Foi desmistificada a idéia de que este tipo de público não seria tão exigente e mais, de que não seria possível oferecer-lhes um produto digno de ir para a mesa dos melhores gourmets. Some-se a isto o fato de ser um mercado em expansão, já que constantemente aumenta o número de pessoas que consomem produtos fabricados de acordo com as leis de cashrut.

 

 

Variedades mais cultivadas : 

Tintas : Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir, Cab Franc, Sangiovese, Syrah.

 

Brancas : Chardonnay, Sauvignon Blanc, Gewürztraminer, Muscat, Riesling.