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  Hungria

 

 

 

  A Hungria, com uma população de cerca de 10 milhões de habitantes e uma história milenar, tem no setor vitivinícola uma das principais atividades agrícolas. Como resultado da sua enorme diversidade nesse setor, a Hungria apresenta atualmente um conjunto de 22 diferentes regiões produtoras. No ano de 1996 a Hungria atingiu o 12º lugar entre os principais produtores mundiais, com uma produção aproximada de 4 milhões de hectolitros (como termo de comparação,  Portugal  produziu 9 milhões de hectolitros no mesmo ano, ocupando o 7º lugar).

 

   A história da vitivinicultura húngara foi fortemente marcada pela presença dos diversos povos que habitaram o país ao longo dos tempos. É atribuída aos romanos a instalação das primeiras adegas e das primeiras vinhas dignas desse nome nas regiões de Szerémség, Baranya e Tolnai. Mais tarde, com as conquistas de vastas zonas, feitas pelas tribos magiares (869 d.C.), das quais algumas constituem o atual território da Hungria, surgiu uma das principais regiões vitivinícolas - a de Tokaj-Hegyalja - situada no nordeste da Hungria, tornou-se ao longo do tempo uma das principais do país.

 

    A Hungria foi dividida pela lei de 1997 em 22 regiões vinícolas, das quais a mais importante mundialmente é a de Tokaj-Hegyalja.


   Tokay ou Tokaji é o vinho mais famoso da Hungria, tendo sido o primeiro vinho do mundo produzido com uvas botritizadas, isto é, submetidos a um fungo que resseca os bagos, aumentando o seu teor de açúcar. Data de 1571 a primeira menção a vinhos aszú (botritizados).

   Em 1737, a área de cultivo foi delimitada por decreto real.

   Em 1772, nasceu o primeiro sistema mundial de classificação de vinhedos, que previa: Grande Cru, Primeiro Cru, Segundo Cru, Terceiro Cru e não-classificados. Em 1995, foi estabelecida a nova classificaçãode vinhedos.
    A colheita se inicia, tradicionalmente, no dia 28 de outubro, prolongando-se as vezes até o final de novembro.

 Regiões Produtoras

TOKAJ-HEGYALJA

 

  Situada 200 km a leste de Budapeste, esta região vinícola estende-se por uma zona de produção de cerca de 8.000 hectares.

   Esta região é o reflexo de uma tradição vinícola única, existente há pelo menos mil anos e que se manteve intacta até aos nossos dias e a sua paisagem cultural histórica faz parte do Património Mundial da UNESCO desde Junho de 2002.

 
   O rio Tisza e o afluente Bodrog, essenciais ao micro clima da região.Esta região encontra-se situada a uma altitude entre 100 a 400 metros acima do nível do mar. O seu clima tipicamente continental é caracterizado por invernos extremamente frios e verões muito quentes. A generalidade das suas vinhas situam-se nas encostas dos montes Zemplen, junto aos rios Bodrog e Tisza. O tipo de solo é predominantemente de origem vulcânica com uma elevada percentagem de argila. A reunião de todos estes factores cria condições propícias ao desenvolvimento de Botrytis cinerea, favorecido pela já referida proximidade dos rios e consequente humidade.

   As principais castas utilizadas nesta região, nomeadamente para a elaboração do Tokaji, são fundamentalmente as Furmint (casta com um elevado potencial aromático), Hárslevelü (que proporciona a formação de um elegante bouquet nos vinhos obtidos) e Muscat.

   As caves do vinho Tokaji são cavadas nas rochas das montanhas vulcânicas da região, formando labirintos que chegam a ultrapassar os 30 quilómetros. Estas caves mantém de forma natural níveis constantes de temperatura e humidade, criando condições ideais para armazenar e envelhecer os vinhos da região.

 

  BALATON 

Outra importante região produtora encontra-se a cerca de 200 km a sudoeste de Budapeste, junto ao lago Balaton, que dá o nome a esta importante zona. Aí se produzem predominantemente vinhos brancos secos, extremamente aromáticos e de baixo teor alcoólico. As castas principais são: Furmint e  Hárslevelü (ambas húngaras), Chardonnay e Sauvignon Blanc. É uma zona essencialmente plana, dominada naturalmente pelo lago Balaton (maior lago da Europa Central), com um solo de características argilo-arenosas.

 

 

  VILLÁNY-SIKLÓS 

 

É uma zona que, por estar rodeada por um conjunto de montanhas, permite a existência de um microclima similar ao mediterrâneo.

Os vinhos tintos aí produzidos são de elevados teores alcoólicos, encorpados e capazes de um envelhecimento mais ou menos acentuado. As castas mais utilizadas nesta região são Kadarka, Blue Portugais (consideradas castas tradicionais), Merlot, Blue-Frankish, Zweigelt, Cabernet Franc e Cabernet Sauvignon

 O Vinho  Tokaji      

    

 São três as cepas brancas que entram na composição do Tokaji. A Furmint é a principal matéria-prima, representando cerca de 70% das plantações da região.   É de maturação tardia, dando vinhos de buquê marcante e elevada acidez. Nos anosfavoráveis, ela é muito suscetível a "podridão nobre".

    A segunda mais importante é a Hárslevelu (folha de tília), com cerca de 20% a 25% dos parreirais. Ela transmite um finíssimo e característico perfume de mel,tília e especiarias, além de dar um vinho robusto e encorpado. ´`e menos atacada pela botritização. Após anos de envelhecimento, apresenta excelente qualidade.
  
  Finalmente, a Sárgamuskotály (ou Moscatel de Lunel ou Moscat Blanc á Petis Grains), que é uma Moscatel "amarela", conforme seu nome húngaro, contribui com elegantee intensafragr~ancia. Geralmente participa de cerca de 5% a 10% do lote.

 

    

   O Tokaji é elaborado a partir de cinco estilos diferentes de vinho branco. Os tipos de alta qualidade  ( Szamordi, Aszú e Aszú-Eszencia ) são engarrafados em botelhas especiais de 500ml, transparentes e com longos gargalos.

 

  Dry Wines (Száraz Borok) :  Vinhos secos comercializados mencionando a respectiva variedade produtiva: Tokaji Furmint, Tokaji Hárslevelu e Tokaji Sárgamuskotály. Esses tipos, ditos Ordinarium, apesar de srerm vinhos de qualidade, utilizam o amadurecimento redutivo, isto é, na ausência do oxigênio do ar. São engarrafados em botelhas de 750ml.

 

  Late Harvest (késói Szuret) :  Vinhos de colheita tardia, similarmente aos Szamorodni, elaborados com cachos parcialmente botritizados, tendo, portanto, certo teor de açúcar residual. Esses vinhos não estão regulamentados, causando alguma confusão para os consumidores.

 

 Szamorodni : O nome provém de uma palavra de origem polonesa, significando "como ele cresceu". São vinhos feitos com cachos parcialmente botritizados, porém sem seleção de bagos botritizados (aszú). Existem nas versões Száraz Szamorodni (seca) e Édes Szamorodni (doce). Evoluem em barris de madeira por doisa três anos.
     O Tokaji Száraz Szamorodni é o clássico branco seco húngaro. Tem coloração dourado-amarronzado, com buquê de oxidação típico dos Tokaji,sendo untuosos e com boa acidez. O Tokaji Édes Szamorodni pode ser elaborado quando a presença de uvas botritizadas garanta que o mosto contenha acima de 25% de açúcar.

 

 Aszú :  Os vinhos mais tradicionais, que fizeram a fama da região. O seu processo produtivo é sui generis, sendo realizado em duas etapas. Os bagos não afetados pelo Botrytis Cinerea são prensados e fermentados. Os bagos Botritizados (aszú) são selecionados individualmente e depois esmagados cuidadosamente em um equipamento especial.   O mosto-flor (ou a pasta aszú) gerado é então macerado por 24 a 36 horas com o vinho-base. Após nova prensagem, o vinho-mosto é refermentado nos barriletes de carvalho húngaro, chamados "gonchi", em frias caves, por meses ou mesmo anos.
   O envelhecimento inicial desses vinhos é realizado por um a três meses em barriletes cheios apenas 80% a 90% da sua capacidade. Diferentemente do Jerez, essa oxidaçãoa baixas temperaturas não formam muita flor, mas reduz o teor alcoólico e aumenta o conteúdo de aldeídos e ésteres responsáveis pelo buquê do vinho. A maturação toatl deve levar um mínimo de três a oito anos, dependendo do tipo de Aszú. Já os Aszú-Eszencia das melhores colheitas são envelhecidos até 15 anos.
As extensas caves de envelhecimento são encravadas em rocha sólida, providenciando condições ideais de maturação do vinho, com temperatura por volta de 10°C - 12°C e umidade de cerca de80% - 95%, causandoa formação de fungos nas paredes.
 Dependendo da proporção dos bagos aszú- adicionados por cestos de madeira de 20 a 25 quilos chamados "puttonyos" -, para cada barrilete de 136-137 litros de vinho-base, existem os seguintes níveis de qualidade:

  

 

            Tipo        /      Açúcar Residual

   Aszú 3 Puttonyos / 60 gr

   Aszú 4 Puttonyos / 90 gr

   Aszú 5 Puttonyos / 120 gr

   Aszú 6 Puttonyos / 150 gr

   Aszú Eszencia      /  200 gr


 Os Aszú vão de dourado-claro a dourado amarronzado. Têm um buquê de mel e flores intenso e complexo, com flavores de mel, terroso e amendoado, além de outros mais complexos.

 

  Eszencia :    Constituem um raro e denso néctar oriundo exclusivamente do mosto flor de uvas cujos bagos foram totalmente afetados pelo Botrytis cinerea. Uma cesta de uvas totalmente botritizadas fornece apenas de 500 a 1.500ml de Eszencia. Devem ter no mínimo 6% de teor alcoólico e 250 g/l de açúcar residual. Por serem bastante doces, praticamente não fermentam. Desde a lei de 1997, devem permanecer em barris de madeirapor no mínimo cinco anos.
    Os húngaros os consideram muito mais que simplesmente um vinho, como uma rara experiência epicurista.

 Mais sobre "Puttonyos"

  Puttonyo é a quantidade de 25 kg de uva botririzada (ou seja atacada por Botrytis cinerea) ou aszú adicionada por quantidade de mosto ou vinho para elaborar os vinhos húngaros Tokaji.

   Apenas em colheitas excepcionais se recolhem as uvas aszú já na forma de passas de forma separada, e levam-se à adega como uma massa seca. Com o resto da colheita prepara-se o vinho “de base”. Junta-se o aszú a este vinho em quantidades de puttonyos por barril de 136 litros.

   Assim, um Tokaji aszú de 3 puttonyos (mínima adição para poder classificar-se como Tokaji aszú) seriam 75 kg de pasta juntos a 136 litros de vinho fresco da época. Esta quantidade de uva seca pela chamada “podridão nobre” tem uma tal concentração de açúcar que impregna suave e elegantemente o vinho base, que é seco, transmitindo-lhe uma doçura e fragrâncias indescritíveis. O maior grau de doçura e complexidade corresponde aos Tokaji de 6 puttonyos.

  Existe um grau ainda acima dos 6 puttonyos, mas trata-se de um Tokaji tão raro e difícil de conseguir, que quase se poderia considerá-lo como una obra prima. É o denominado Tokaji Eszcencia, a lágrima ou sumo das melhores uvas aszú enquanto esperam ser prensadas, que contêm até cerca de 60% de açúcar. A quantidade de açúcar é tão elevada que o vinho apenas pode fermentar, impedindo-o de desenvolver apenas 4º de álcool.