© 2009 InfoVINHO I Confraria Black Tie

 França

  Não é um exagero classificar a França como o melhor país vinícola do mundo. Nenhum país possui tantos vinhos de excepcional qualidade. Ela possui cerca de uma dezena de grandes regiões vinícolas demarcadas de maior destaque, algumas delas subdivididas em até mais de vinte regiões menores. Bordeaux é, sem dúvida, a região vinícola francesa que mais se destaca por possuir o maior número de vinhos excepcionais (os famosos Grand Cru, Premier Cru, Deuxième Cru, etc.) muitos deles atingindo preços estra-tosféricos.

 

Provence

 Sobre as AOC's da Provence

 

  Coteaux d’Aix-en-Provence: Sobre as terras de Cézanne, este terroir de solos argilo – calcários, sol e mistral (vento frio regional), produz tintos de caráter, amplos, carnudos e de aroma potente…. Brancos aromáticos finos e elegantes… Quanto aos rosés, vivos, frutados, é com leveza e flexibilidade que se casam maravilhosamente à cozinha do verão ou apreciam-se ao aperitivo.

 

  Coteaux Varois : Reflexo perfeito do interior da Provence, este vinhedo é protegido pelas montanhas que o cercam, aproveitando-se assim de um micro-clima de tipo continental, ele é alimentado por um terreno argilo-calcário. O vinhedo conta com uma grande variedade de uvas, sutilmente associadas, que dão nascimento a cuvées típicas.

 

  Côtes de Provence : Extraindo sua força em solos pouco úmidos, estes vinhos enriquecem-se do mistral e da luminosidade tão típica da Provence. Os cincos terroirs que compõem este AOC dão tintos amplos, estruturados e generosos, brancos aromáticos de grande classe, e distinguem-se principalmente na arte do rosé. Autêntica tradição, a elaboração de rosé Côtes de Provence pede um “know how” específico e produz vinhos secos, frutados e elegantes, cuja coloração luminosa não se assemelha a nenhuma outra.

 

  Côtes de Provence Sainte-Victoire : Ao leste da cidade de Aix-en-Provence, este terroir produz tintos potentes e sedosos, rosés finos e elegantes e brancos vivos e aromáticos.

Champagne

   A região de Champagne, ou "La Champagne", localiza-se a 145 quilômetros a nordeste de Paris. É a região vinícola mais ao norte da França (48-49,5ºN de latitude), de clima frio e úmido, com influência marítima e continental ao mesmo tempo. A temperatura média anual é de 19ºC, com cerca de 650mm de chuvas. O solo é predominantemente calcáreo, o que permite boa drenagem. Os vinhedos geralmente são colinares, aproveitando melhor a luz do sol. As altitudes são modestas, e vão de 60 a 360 metros. Atualmente a produção de Champagne aproxima-se das 400 milhões de garrafas ao ano.

 

As sub-regiões   


  Montanha de Reims - região mais fria, onde reinam as uvas tintas, principalmente a Pinot Noir, com vários vinhedos Grands Crus e Premier Crus, nove, dos 17 Grands Crus, localizam-se aqui. Os mais famosos são Mailly, Verzenay, Verzy, Ambonnay e Bouzy;

Vale de marne - Solo menos calcário, com predomínio de argila. Predomínio das duas Pinots (Noir e Meunier), com dois vilarejos Grand Crus (Aÿ e Tours-sur- Marne);

Côtes de Blancs - Como o nome diz, predomínio de Chardonnay. Clima ameno, solo calcário. Aqui se situam cinco Grands Crus (Cramant, Avize, Oger, Le Mesnil sur Oger e Chouilly);

Côte de sézanne - Região recente, continuação da Côtes de Blancs, com vinhas plantadas em 1960, predomínio de Chardonnay;

Cote des Bar - no departamento de Aube, tem invernos frios e verões quentes, solos argilosos, predomínio de Pinot Noir, que nessa sub-região alcança mais corpo.

 

    É bom frisar que diferentemente de outras regiões francesas, como Bordeaux, o nome da sub-região na Champagne é menos importante, pois os Champagnes são mais conhecidos pelas marcas das grandes casas, ou maisons. Nomes como Krug, Salon e Chandon contam mais do que o nome da sub-região.

 

     Entenda um pouco mais sobre  o Champagne (bebida) :    

 

   O Champagne é feito sempre a partir de três castas (solo ou misturadas): As tintas Pinot Noir e Pinot Meunier (das quais se faz um vinho branco) e a branca Chardonnay. Geralmente as tintas emprestam à mistura caráter mais austero, mais corpo, aromas de frutas vermelhas, enquanto a Chardonnay dá mais cremosidade e elegância.

 

 

Como se formam as bolhas:


O Champagne é sempre o produto de duas fermentações. Primeiro elabora-se um "vinho base" que será re-fermentado, ganhando espuma. A fermentação alcoólica é a reação química de transformação dos açúcares da uva em álcool. um dos produtos desta reação química é o gás carbônico. quando esta fermentação é feita em recipientes hermeticamente fechados (no caso, a garrafa de Champagne), este gás dissolve-se no líquido, e só é liberado quando "estouramos" a rolha!

Método de elaboração 


  Os principais métodos de elaboração de vinhos espumantes em todo o mundo são o Champenoise e o Charmat. Na região de Champagne só é permitido o uso do método Champenoise, no qual a segunda fermentação é feita na própria garrafa. No método Charmat, a segunda fermentação acontece em grandes recipientes de inox. Geralmente, os Champanoise são mais finos e de perlage de melhor qualidade.

Perlage


É o conjunto de borbulhas do espumante. Quanto menores e mais abundantes são as bolinhas, o espumante será melhor, mais fino e agradável no palato.

Corte ou Assemblage


  É o primeiro passo na elaboração do champagne. É a mistura de diversos "vinhos base" que serão re-fermentados para formar o Champagne. As maisons produzem ou compram uvas de vários vilarejos, e misturam os vinhos produzidos para elaborar seus assemblages, ou cortes, que resultarão no Champagne. um assemblage pode ser uma mistura de dezenas de vinhos (às vezes, mais de 70), de uvas provenientes de vários vilarejos e de safras diferentes.

 

 
Licor de tirage e segunda fermentação, ou Prise de mousse


  O vinho base passa então por uma segunda fermentação, também chamada de "tomada de espuma", ou prise de mousse, que o transforma de vinho de mesa em vinho es pumante. Isto acontece dentro da garrafa definitiva, a mesma em que a bebida será co mer cia li zada. O vi nho base é colocado dentro da garrafa com o licor de tirage - formado por açúcar e vi nho, no qual foram cultivadas leveduras treinadas especialmente para produzirem um bom champagne. Estas leveduras constituem um dos segredos dos produtores. A garrafa é então fechada com uma "chapinha" provisória. A prise de mousse dura cerca de três meses. Ao fim deste tempo, pode-se ver, no fundo das garrafas (deitadas), as borras depositadas. A etapa seguinte é o tempo de amadurecimento do Champagne com suas borras.

As borras e o tempo com elas


  As borras são as células mortas das leveduras que processaram a segunda fermentação do champagne na garrafa. Estas células, com o tempo, dissolvem-se no líquido em um processo chamado de autólise. Este "tempo com as borras", ou "tempo sur lie", ou "tempo de autólise", é o tempo que o espumante permaneceu com suas borras. Quanto maior o tempo, maior o corpo, a complexidade e a cremosidade. Este tempo dura, normalmente, de seis meses a cinco anos. Ao final desta etapa, o líquido não pode ser simplesmente filtrado, pois, se a garrafa fosse aberta, perderia seu precioso perlage. Este problema é resolvido através do remuage e do dégorgement.

 

Autólise


É o rompimento das células mortas das leveduras da segunda fermentação. A autólise cria aminoácidos, que são os precursores da complexidade de aromas, corpo e cremosidade do Champagne.

 

Remuage


  É um processo lento e delicado. As borras são leves e turvam o vinho ao menor movimento. As garrafas são colocadas em cavaletes especiais de madeira chamados pupitres, dotados de furos ovais onde as garrafas são introduzidas horizontalmente. O remuer, profissional especializado nesta tarefa, passa periodicamente pelos pupitres fazendo o giro de 90o nas garrafas, e, ao mesmo tempo, colocando-as um pouco mais inclinadas para cima, de modo que as leveduras mortas vão, aos poucos, sendo levadas ao gargalo. Quando as garrafas estiverem bastante inclinadas para cima, as leveduras já estarão quase inteiramente sobre a tampinha.

 

  Este processo dura cerca de dois meses, ou cerca de uma semana, se for realizado mecanicamente.

Dégorgement ou Disgorgement


  Após a remuage, a garrafa está com os sedimentos no gargalo, que é congelado e expelido por pressão. Esse método é conhecido como Dégorgement ou Disgorgement. A mesma máquina que retira o sedimento congelado acrescenta o Liqueur d'Expédition.

Liqueur d'Expédition, a "dosagem"


  Ao final do processo de elaboração do Champagne, o liqueur d'expédition é acrescentado. Ele é uma espécie de xarope que determinará a "dosagem" de doçura do Champagne. É bom lembrar que a sensação final de doçura também depende deoutros fatores, como a acidez do espumante, que poderá compensar maiores teores de açúcar. A classificação do Champagne quanto ao teor de açúcar é:

  • Extra-brut - entre 0 e 6 gramas de açúcar por litro (g/l)

  • Brut Nature - menos de 3g/l

  • Brut - menos de 15 g/l

  • Extra Dry - de 12 a 20 g/l

  • Sec (ou Dry) - de 17 a 35 g/l

  • Demi-sec - de 33 a 50 g/l

  • Doux - mais de 50 g/l

    

 

 

  O Brut Nature pode ser chamado também de "Pas Dosé", "Brut Sauvage", "Brut Zéro", "Dosage Zéro", "Brut Intégral", "Brut Non-Dosé" etc.

Blanc de Blancs


  É o Champagne branco elaborado apenas com uvas brancas, da variedade Chardonnay.

Blanc de Noirs


  É o Champagne branco elaborado apenas com uvas tintas, Pinot Noir e Pinot Meunier (pode ser apenas com uma ou com a mistura das duas).

Rosé


  O Champagne rosé é uma categoria nobre, muitas vezes alcançando preços maiores do que os brancos. Pode ser feito a partir da mistura de vinho branco com tinto. Champagne é uma das poucas denominações que permite fazer rosé dessa forma.


 

 Languedoc-Roussillon

 

 

   Criada em 1985, é uma região em plena e constante mutação no sentido de elaboração de regulamentação e estabelecimento de novas AOCs, diferentemente de Bordeaux, que teve uma revisão em 150 anos, e Borgonha onde os produtores estão acorrentados por regulamentações muito restritivas.

 

  Bom em alguns aspectos, limitante em outros. Sendo uma das 26 regiões administrativas Francesas, geográficamente se inicia na fronteira com a Catalunha, Espanha, e vai quase até à Cote D’Azur no Sul da França. A parte mais em contato com a Catalunha, e conhecida como a Catalunha Francesa, é Roussillon que até ao século XVII pertencia aos Espanhóis.

   É a região que mais produz vinhos na França, cerca de 30%, e é, individualmente, a maior região produtora do mundo com aproximadamente 28.000 quilômetros quadrados de vinhas. Algo como duas vezes superior a toda a produção dos Estados Unidos, quatro vezes a Austrália e duas vezes Bordeaux.

    São cerca de 50.000 vinhedos, 400 cooperativas (quase uma por vilarejo), cerca de 2800 produtores de vinhos produzindo aproximadamente 2 milhões de garrafas de vinho. Destas, cerca de 17% advém de regiões AOC, 15% de Vin de Table (vinho de mesa) e a maior parte, 68%, é de Vin de Pays (VdP) ou vinhos regionais.

    As principais AOCs e regiões produtoras são; Saint Chinian, Faugéres, Fitou, Corbiéres, Minercois, Banyuls (quase na Catalunha), Rivesaltes, Pic St. Loup, Coteaux du Languedoc, Cotes du Roussillon, Limoux com seus espumantes e Costiers de Nimes.

     Roussillon por sua vez, é famosa na França, não tanto por aqui, pela produção de seus vinhos “Vin Doux Naturels” (vinhos doces naturais), que de naturais não têm é nada. Embora o açúcar seja inerente à uva, o método de elaboração destes vinhos inclui a intervenção do homem que interrompe sua fermentação adicionando-lhe álcool viníco para que o vinho conserve a doçura. Os mais conhecidos são o Banyuls um vinho tinto cantado em prosa e verso como o grande acompanhante de chocolate, o Muscat de Rivesaltes que é, essencialmente, branco e o Maury tinto que é praticamente só consumido na região.

 

 Rhône

  Esta região, que alguns chamam, pela tradução ao Português, de Ródano, é marcada por extremos. O Norte (região setentrional) é frio, repleto de morros rochosos, uma massa de granito e xisto com vinhedos encravados em suas encostas. Nesta região do norte, florescem, quase que exclusivamente, as cepas Syrah e Viognier. O sul (região meridional), por outro lado, é quente e formado por planícies cercadas de montanhas, sendo responsável por cerca de 90% dos 80.000 hectares de vinhas plantadas em toda a região de Cotes-du-Rhône. Afora Syrah, no Sul plantam-se, principalmente as; Grenache, Mourvédre e Cinsaut. No total, são cerca de 6000 vinhedos nas mãos de aproximadamente 2100 produtores, cooperativas, negociants e associações.

 

 

   Cerca de oitenta e cinco por cento dos vinhedos da Cotes-du-Rhône, estão divididas entre 12 principais AOCs mais as denominaçãoes Cotes-du-Rhône e Cotes-du-Rhône Village. Ao Norte as principais são Cote-Rotie, Hermitage, Cornas, St. Joseph, Crozes-Hermitage e Condrieu. Já ao Sul, encontramos Chateauneuf-du-Pape, Gigondas, Vaqueyras, Tavel, Lirac e Cotes do Ventoux. 

Denominações:

 

 

  • Côtes-du-Rhône - é uma denominação genérica representando praticamente 53% da produção total. Pode ser produzido em qualquer parte da região desde que sejam cumpridas as especificações da AOC que, neste caso, determinam que nos tintos seja usado um mínimo de 40% da cepa Grenache. São cerca de 171 comunas com 40.000 hectares de vinhedos gerando vinhos muito interessantes, que devem ser tomados jovens, entre três a quatro anos de vida.

  • Côtes-du-Rhône Village -  somente um total de 96 comunas estão autorizadas a ostentar esta denominação, mas só 19 podem acrescentar seu nome à denominação. Entre as mais importantes estão Rasteau, Beaumes-de-Venise e Cairanne. São cerca de 9600 hectares de vinhas plantadas representando cerca de 9% da produção total da região. Aqui encontramos alguns vinhos de grande qualidade, que ganham com um pouco mais de guarda estando melhores se tomados entre três a quatro anos podendo, nos melhores casos, envelhecer por mais uns três ou quatro. A AOC determina que um mínimo de 50% de Grenache deverá ser usado no corte.

  • Côte-Rotie – com cerca de 2.9% da produção, encontra-se localizado no norte do Rhône, produzindo um vinho único, elaborado com um corte de mínimo 80% de Syrah e um máximo de 20% de Viognier uma cepa que, originalmente, é usada na produção de vinhos brancos.  Os melhores vinhedos estão nas escarpas conhecidas como; Cote-Blonde, de vinhos mais elegantes e aveludados, e Cote-Brune, com vinhos mais austeros de maior guarda. Em alguns casos podemos encontrar a inscrição Cote-Rotie Brune-Blonde, indicando um corte com uvas de ambas as regiões. São vinhos que, quando jovens, são encorpados e algo duros, porém quando envelhecem, sete a oito anos, se tornam vinhos sedutores, aveludados e plenos de finesse. Por isso, são cobiçados no mundo inteiro e, consequentemente, caros.

  • Condrieu – com apenas 0,15% da produção total, é uma região onde se elaboram praticamente só vinhos brancos à base de Viognier. São vinhos encorpados, de buquê intenso para serem tomados jovens. Os poucos tintos são perfumados e muito elegantes.

  • Saint Joseph – produz cerca de 1,2% dos vinhos da região, basicamente tintos à base de Syrah. Vinhos de muito boa qualidade, aromáticos, de boa estrutura, densos e elegantes. Prontos para beber após uns dois anos da safra e podendo durar quatro, cinco ou seis anos dependendo do produtor.

  • Hermitage – uma das mais nobres e pequenas AOCs , se restrigindo a uma colina com cerca de 140 hectares de vinhedos, mas terroirs muito diversos. Vinhos potentes, longevos que começam a apurar, de acordo com Saul Galvão, após o 10º ano. Elaborado com Syrah, se permite o corte com até 15% das uvas brancas Marsanne ou Roussanne embora, na prática, seja pouco usada. Responde por apenas 0,15% da produção.

  • Crozes-Hermitage – terras planas em volta das colinas de Hermitage. Respondendo por 1.8% da produção da região, é uma opção aos caros vinhos de Hermitage.  

  • Cornas – Finalizando as principais AOCs do norte do Rhône, onde a Syrah é rainha e atinge seu apogeu. Com somente 0,12% da produção do Rhône, esta appelattion produz vinhos modernos, de boa intensidade de fruta, caráter longevo e de grande concentração. Elaborados exclusivamente com Syrah, são vinhos viris, que necessitam de tempo para apurar, pelo menos uns seis a sete anos.

  • Gigondas – já no Sul do Rhône onde começam a brilhar outras cepas. Quase que só vinhos tintos de assemblage, firmes e longevos, elaborados com um corte de Grenache (principal com até 80%)e Mourvédre e Syrah (minímo de 15%) necessitando de um mínimo de quatro a cinco anos para apurarem. Existe uma pequena produção de Rosé. A produção total atinge cerca de 1.19% da produção da região.

  • Vaqueyras – mais vinhos tintos de assemblage em que a Grenache segue sendo a principal protagonista junto com Mourvédre e Syrah. Os tintos são responsáveis por 97% da produção, 1% de rosé e 2% de brancos. Os tintos são complexos, encorpados para serem consumidos entre quatro a seis anos. A região é responsável pela produção de 1.4% do total do Rhône.

  • Chateauneuf-du-Pape – o vinho mais importante e prestigiado do Sul do Rhône, respondendo por cerca de 3% da produção. Muito prestigiado e de grande conceito, são vinhos de grande complexidade, ricos, cor intensa, aromáticos, poderosos, de teor de álcool alto (a appelattion é a mais seca da região) e longevos devendo ser tomados após o quarto ou quinto ano e podendo, os melhores, evoluir até uns 10/12 anos ou mais. Na sua composição podem ser usadas até 13 cepas, mas dificilmente um produtor as têm todas em seus vinhedos. A legislação não determina porcentuais mínimos ou máximos por cepa e, cada produtor tem sua receita. Isto gera uma qualidade muito irregular e estilos variados de vinhos, também em função da diversidade de terroirs. Os mais leves e menos conceituados, podem ser tomados mais jovens entre dois a três anos e não devem envelhecer muito. O alto relevo das armas Papais nas garrafas, costuma ser uma boa indicação de qualidade. As principais uvas usadas, uma mistura de cepas tintas e brancas, são; Grenache, Syrah, Cinsaut, Mourvédre, Counoise, Clairette, Bourbolenc, Roussane, Picpoul, Vaccarèse, Muscardim, Terret Noir e Picardan. Apesar de 97% da produção ser de tintos, vem crescendo a de branco que, dizem, ser muito bom devendo ser tomado jovem.

  • Tavel – com cerca de 1,15% da produção da região, quase que exclusivamente terra de vinho rosé. Produzido das principais uvas da região mais Carignan, é conhecido como o Rei dos Rosés.

  • Lirac – região de produção de brancos, rosés e tintos elaborados com a maioria das uvas da região. Os tintos são frutados e elegantes, necessitando de uns quatro anos para apurarem. Representa cerca de 0,62% da produção da região.

  • Côtes du Ventoux – a mais recente denominação da região, está localizada ao redor do Mont Ventoux, com 1900 metros de altitude, com vinhas incrustadas em até 500 metros nas suas encostas. É uma região bem mais fria, com amplitudes térmicas maiores, gerando vinhos frescos, frutados e de boa acidez porém não muito longevos. O melhor, consumir estes vinhos no máximo entre cinco a seis anos. São quase 6000 hectares plantados com as principais uvas da região mais Carignan que não pode ultrapassar 30% do corte. Aqui se produzem tintos, brancos e algo de rosé, perfazendo cerca de 8.7% da produção total do Rhône.

Vale do Loire

 

 

 

    O Vale do Loire, melhor conhecido como o Vale dos Reis ou, ainda, o Jardim da França, tendo sido designado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO, é uma região única repleta de castelos, cerca de mil, e paisagens deslumbrantes. É uma vasta região produtora de vinhos de cerca de 600kms ao longo do Rio Loire, o maior da França, em que os vinhos brancos exalam qualidade e excelência. São 185 mil hectares de vinhedos distribuídos, como na Borgonha, por um monte de pequenos produtores de estrutura familiar. Mas não é só de brancos que a região vive. Aqui se encontram, também, vinhos tintos, espumantes, vinhos doces, todos de muito boa qualidade. O Cremant de Loire é um espumante de grande aceitação na França, os tintos á base de Cabernet Franc, são joviais e frutados, num estilo meio Beaujolais, para serem tomados jovens e refrescados enquanto seus brancos são, efetivamente, excepcionais.

 

    Assim como a região de Champagne, o Vale do Loire situa-se no limite de temperaturas baixas para produção de vinhos. Nos anos quentes, e variação de temperaturas (quente/frio), dá aos vinhos essa elegância e acidez cortante que tanto encanta os apreciadores. Nos anos demasiado frios, todavia, devido à falta de insolação, as uvas não amadurecem adequadamente e tendem a gerar vinhos magros e sem estrutura o que é uma grande preocupação para os produtores. Nesses anos, cresce exponencialmente, a produção de espumantes Cremant de Loire, que se beneficia dessas condições climáticas. O Cremant de Loire é elaborado pelo método tradicional, tendo a Chenin Blanc como protagonista e, como coadjuvantes, a Chardonnay e Cabernet Franc, eventualmente as uvas Gamay e Pinot, da região de Touraine e Anjou-Saumur. Uma bela, e bem mais econômica, opção aos caros Champagnes.

       No total, são mais de 70 AOCs gerando vinhos dos mais diversos, mas mantendo um traço característico da região que é a boa acidez dos vinhos. A região divide-se em três ou quatro sub-regiões, dependendo do autor consultado. Eu adotei a teoria das quatro sub-regiões, Leste, Touraine, Anjou-Saumur e Paix Nantais ou Oeste por achá-la mais detalhada. Os que adotam três, na verdade, só juntam as regiões de Touraine e Anjou-Saumur em uma só.


 

 

 Alsácia

   A Alsácia é a mais peculiar das regiões produtoras de vinho da França. Situada entre as margens do rio Reno, a leste, que delimita hoje a fronteira franco-alemã, e a cordilheira de Vosges, a oeste, a Alsácia tem uma história conturbada, pontilhada de guerras e conflitos, o que fez com que fosse considerada, por várias vezes e de forma alternada, território alemão e francês.

Para não irmos ainda mais longe no tempo, entre os anos 962 e 1648 a região fazia parte do Sacro Império Romano-Germânico, que cedeu à França nesse último ano, pelo Tratado de Westfália, a parte sul de seu território. Pouco mais tarde, em 1681, a parte setentrional, onde se situa Estrasburgo, foi também anexada ao território francês. Desta forma, durante um longo período , que terminaria em 1871, a Alsácia (juntamente com a Lorena), foram partes integrantes da França.

Vencida na guerra de 1871 contra o Império Alemão, a França cede o território ao seu tradicional inimigo, só voltando a retomá-lo em 1919, com a vitória dos aliados na I Guerra Mundial. O Tratado de Versalhes sacramentou o fato. A Alsácia permaneceria francesa até 1940, quando as forças do III Reich invadem a França e anexam o território. A retomada francesa ocorreu pouco depois, em 1945, com a derrota alemã. Desde esta data a Alsácia pertence a França, sendo hoje uma de suas províncias mais ricas e de extrema importância política e econômica, lembrando que se situa em Estrasburgo a sede do Parlamento Europeu. Graças a esses fatos, a Alsácia possui hoje uma forte identidade cultural, às vezes francesa, às vezes alemã, o que torna a visita a essa belíssima região, arduamente reconstruída depois da destruição da Segunda Grande Guerra, uma experiência extremamente rica e curiosa.


O VINHO NA ALSÁCIA

 

Região produtora de vinhos da Alsácia se estende por 110 km desde a cidade de Thann, perto da fronteira suiça, até Marlenheim, ao norte, próximo de Estrasburgo. A região se divide em duas, Alto Reno e Baixo Reno. Percorrer a chamada “Rota do Vinho”, que corta todo o território, e visitar suas encantadoras cidades medievais e seus vinhedos realmente vale a pena. Colmar, Turkheim, Riquewir, Ribeauvillé, Selestat, Obernai. Finalmente Estrasburgo, a metrópole regional, com todos seus encantos e sua rica vida cultural e gastronômica.

A variedade de microclimas e solos que se encontra pelo caminho é enorme, o que possibilita ao vinhateiro alsaciano adaptar da maneira mais sábia as uvas regionais aos terrenos mais adequados. O peso do conceito de terroir é ali levado tão a sério quanto na Borgonha, e o resultado são vinhos brancos de grande equilíbrio e fineza. Granito, argila, calcário, areia, greda, são os elementos que constituem esse rico mosaico de terrenos, fruto do desmoronamento de partes das montanhas do maciço de Vosges e da Floresta Negra, ocorrido há cerca de 50 milhões de anos.
 

AS UVAS

 

As castas brancas dominam a região. Apenas 8% dos vinhos são tintos ou rosés (geralmente para consumo local), os restantes 92% são utilizados na elaboração de vinhos brancos tranquilos e espumantes. As variedades principais são sete:

RIESLING – Tida por muitos como a melhor casta branca do mundo, a Riesling é a grande estrela da Alsácia, seguide perto pela Gewürztraminer. Dá origem a vinhos de grande fineza e elegância, com aromas delicados de frutas cítricas e tropicais, além de notas florai e minerais.

GEWÜRZTRAMINER – Os vinhos feitos na região com esta uva são célebres. Têm aspecto dourado, aromas intensos de frutas ( grappefruit, lichia, marmelo) , florais e de especiarias (pimenta, canela), como denuncia seu próprio nome: Würze significa especiaria em alemão. Seus vinhos são os parceiros ideais da exótica gastronomia asiática, principalmente a tailandesa. Carne de porco e de ganso também vão muito bem eles.

PINOT GRIS – Uva cinzenta e levemente azulada, com ela se produz os vinhos mais encorpados e macios e com menor presença aromática. Extremamente gastronômico, por suas características, pode lembrar um bom branco da Borgonha. Seu antigo nome era Tokay Pinot Gris.

PINOT BLANC – Vinhos de aromas agradáveis e discretos. Frescos, macios e redondos.

MUSCAT D´ALSACE – Produz-se com ela vinhos brancos com aroma bem característico. O vinho é seco, ao contrário do que acontece com as castas da família da Muscat no sul da França, cujos vinhos são doces.

SYLVANER – Vinhos leves e refrescantes, com aromas agradáveis, frutados e discretos. Muito popular na Alemanha (Francônia).

PINOT BLANC – Vinhos frescos e macios com aromas discretos.

PINOT NOIR – É a grande representante tinta da região, consumida mais localmente.

Os vinhos são menos concentrados e mais leves do que os da Borgonha.

 

A CLASSIFICAÇÃO DOS VINHOS

 

  Todos os vinhos alsacianos são da categoria AOC (Appellation d´Origine Controllée). Ligados à tradição alemã, os vinhos ostentam no rótulo o tipo de uva com que são feitos, quando são monovarietais (100% da mesma uva, a maioria dos casos). Quando se utiliza uma mistura de várias cepas, o nome “ Edelzwicker” aparece no rótulo.

São três as categorias dos vinhos:

AOC ALSACE – 12 000 ha de vinhedos – A denominação mais comum. Abarca a maior parte dos vinhedos.

AOC ALSACE GRAND CRU – 500 ha de vinhedos – Esta denominação só pode ser utilizada por 4 castas: Riesling, Gewürztraminer, Muscat e Pinot Gris. O terroir (tipo de solo, inclinação do terreno e exposição ao sol) desempenha aqui fator preponderante. Leva-se em conta também o rendimento por hectare e o grau de açúcar das uvas. São 50 os vinhedos Grand Cru da Alsácia e devem ser mencionados nos rótulos.

AOC CRÉMANT D´ALSACE – Os vinhos espumantes da região, que gozam de grande prestígio, pertencem a esta categoria. São elaborados pelo Método Tradicional como o champanhe (segunda fermentação na garrafa), e são brancos na sua maioria. Pinot Blanc, Riesling, Pinot Gris, Pinot Noir e, raramente, a Chardonnay, são as uvas utilizadas. Os rosés são feitos exclusivamente com a uva Pinot Noir.

 

 

PRODUTORES E VINHOS DE DESTAQUE

 

DOMAINE PAUL BLANCK – Em Kientzheim.
A recepção é muito cordial de Philippe Blanck, um homenzarrão de dois metros de altura, grande também na simpatia. Tem como sócio seu primo Fréderic nesta pequena vinícola que tem 1/3 de seus vinhedos na categoria Grand Cru.

PINOT GRIS 2006 GRAND CRU FURSTENTUM 2006 SELÉCTION DES GRAINS NOBLES – Notável pelo equilíbrio entre a doçura e a boa acidez. Notas de mel, damasco, pêssego e cogumelo. Delicioso. Ainda jovem, deve evoluir bem.

DOMAINE TRIMBACH – Em Ribeauvillé.
Situado em Ribeauvillé, bem próxima de Colmar e Bregheim, esta pequena cidade rivaliza com Riquewhir em termos de beleza. A produção de vinho nessa tradicional família remonta a 1628! Instalada em um belo prédio bem na entrada da cidade, é um dos nomes mais respeitados da Alsácia e tem uma produção expressiva.

RIESLING GRAND CRU 2004 CUVÉE FRÉDERIC ÉMILE – Um Riesling excepcional feito com uvas de vinhedos plantados em solo calcário. Mineral e cítrico, lembrando grapefruit, com notas trufadas. Macio e com acidez equilibrada. Muito fino e elegante.

DOMAINE DOPFF-AU-MOULIN – Em Riquewhir.
O forte aqui são os espumantes, que representa a maior parte da produção. A tradição remonta ao avô do atual proprietário, que morou em Champagne,o simpático presidente Pierre-Etienne Dopff. Foi o introdutor dos vinhos espumantes na região. A casa foi fundada em 1574.

CRÉMANT D´ALSACE CUVÉE JULIEN – Elaborado com a uva Pinot Blanc. O vinho teve leve passagem por carvalho. Leve e refrescante, com boa fruta.

HUGEL & Fils – Em Riquewhir.

Um dos maiores nomes da Alsácia, de grande prestígio internacional. A casa foi fundada em 1639 e a sede (também do século XVI), muito bem preservada, fica no centro da encantadora cidade de Riquewhir.

HUGEL GEWÜRZTRAMINER JUBILÉE 2006 GRAND CRU SPOREN – Um Gewürztraminer bem gastronômico, com aromas de lichia, pêra e rosas. Opulento, bem encorpado, bastante macio na boca.

MAISON MARCEL DEISS – Em Bergheim.

Uma casa com uma filososfia revolucionária que produz grandes vinhos. Utiliza processos biodinâmicos e dá prioridade absoluta ao conceito de terroir.Apesar de produzir ótimos monovarietais, tradicionais da região, vem se dedicando à produção de vinhos que mesclam várias uvas planatadas num mesmo vinhedo (e colhidas na mesma época!). Vinhos instigantes e excelentes.

BURG 2005 – Elaborado com uma mescla de uvas brancas levemente botritizadas. Um vinho de grande complexidade aromática (especiarias, defumação, frutas supermaduras, botrytis). Carnudo, mineral e com boa fruta na boca. Alta qualidade.

 

Variedades Mais Cultivadas

Variedades Tintas:Pinot Noir (6,5%)

Variedades Brancas:Riesling (21%), Sylvaner (20%), Gewürztraminer (20%), Pinot Blanc (19%), Tokay d’Alsace ou Pinot Gris (5%), Muscat (3%), Gutedel ou Chasselas (2,5%) e Klevner de Heiligenstein ou Traminer (1%).


Borgonha

  É uma região que possui características climáticas muito complicadas e a sua principal uva, a Pinot Noir, que produz verdadeiros néctares, é de difícil cultura e viníficação. Aqui, mais que em qualquer outro local, a análise das safras e o terroir são essenciais para quem quer se aventurar por estas paradas. Todos os especialistas são unânimes em dizer que as diferenças entre bons e maus produtos é muito grande tornando extremamente complexa a compra destes caros vinhos. Uma boa assessoria e boas dicas de alguém em quem confiem são, mais do que nunca, uma necessidade imperiosa.

 

 A Borgonha é formada por pequenas micro-regiões (mais de 100 AOCs),  pequenos produtores, cooperativas e negociantes. Quando um vinhedo pertence a um só dono, é denominado "Monopole". Por outro lado, existem vinhedos, como o de Clos Vougeot, que possui 51 hectares dividido entre 80 proprietários diferentes, cada um fazendo o que quiser com sua parcela. No total, são mais de 4300 Domaines (denominação de propiedade similar aos Chateaus em Bordeaux) dos quais 85% têm menos de 10 hectares.

  As grandes uvas são as Chardonnay e Pinot Noir, com a presença de Gamay na sub-região de Beaujolais e uma ou outra micro-região em que o corte Pinot com Gamay são permitidos.

   Diferentemente de Bordeaux, aqui os vinhos são, essencialmente, varietais, mas com uma diversidade de aromas e sabores impressionante devido à grande variedade de terroirs.

 

Chablis : (100% Chardonnay) parte mais ao norte da Borgonha, produz  um dos melhores vinhos brancos do mundo elaborado com esta cepa. Os Premier Crus permitem uma guarda de quatro a sete anos, enquanto os Grand Crus permitem esticar esse período por mais uns três anos. Importante considerar estes potenciais tempos de guarda para não cair em algumas eventuais armadilhas encontradas em promoções com oferta de vinhos velhos.

 

Cote D’Or :  É uma escarpa resultante de uma anomalia geológica que levou à erosão das bordas do planalto Borgonhês. Somente cerca de 50 quilômetros  de extensão, mas o mais importante, conhecido e valorizado pedaço da Borgonha. A Cote D’Or está dividida em duas micro-regiões, ao norte a Cotes de Nuits e ao sul a Cotes de Beaune. Genericamente falando, a Cotes de Nuits produzem vinhos mais estruturados e de intensidade superior, enquanto a Cotes de Beaune mostra mais elegância e frescor. Isto, porém, não é uma regra sem exceções já que Pommard gera vinhos densos, duros e tânicos que pedem tempo na garrafa para amadurecer e, no entanto, se situa em Beaune.

 

Côte de Nuits :   Quase que a totalidade de vinhos tintos e a maioria dos Grand Crus. Importantes vilarejos/comunas considerados micro-regiões são; Morey Saint-Denis, Gevrey-Chambertin, Chambolle-Mussigny, Vougeot, Nuit Saint-George, Vosne-Romanée e Echezaux.

 

Côte de Beaune :   Com cerca de 20% de produção de brancos (Chardonnay e Aligoté) a maioria dos Grand Crus brancos se encontram por aqui. Os importantes vilarejos/comunas são; Aloxe-Corton, Pommard, Volnay, Savigny-les-Baune , Beaune, Mersault, Puligny-Montrachet, Chassage-Montrachet e Saint-Aubin.

 

Côte de Chalonnaise :  Uma sub-região menos valorizada, ao sul de Beaune, porém com algumas AOC’s bastante interessante e com produtos menos valorizados, porém de grande qualidade. Um exemplo é Bouzeron com deliciosos vinhos brancos elaborados com Aligoté e Mercurey com belos vinhos tintos de boa concentração e equilíbrio entre os quais um dos destaques do mês. Fora estas duas, boas opções poderão ser garimpadas em Givry, Montagny e Rully.  

 

Mâconnais : O rótulo AOC Macon, é genérico e, de acordo com Saul Galvão, produz alguns brancos interessantes, porém seus tintos costumam ser fracos e caros para o que são.  Os Macon-Village são vinhos mais elaborados bem frutados, para serem tomados jovens sendo uma categoria bem superior. Duas outras AOC’s produzindo bons vinhos brancos são, Pouilly-Fuissé e Saint-Véran.

 

Beaujolais :  Região que pouco tem a ver com o resto da Borgonha e é, muitas vezes, analisado como uma região independente. Comercial e administrativamente, está “amarrada” à Borgonha, mas tem terroir bem diferenciado usando, essencialmente, a uva Gamay na elaboração de seus vinhos.

 Bourgogne Rouge :     É o vinho tinto genérico, ou regional, essencialmente elaborado com 100% de uvas Pinot Noir, exceção feita a algumas poucas comunas onde se permite um corte com Gamay.   Estes melhores, estão prontos a tomar entre dois a três anos e não devem envelhecer muito, no máximo uns cinco ou seis anos. No rótulo podem também aparecer como “Bourgogne Pinot Noir ou Pinot Noir Apellation Bourgogne Controlée”.

 

  Bourgogne Blanc :  Elaborado com100% Chardonnay, também de qualquer lugar da região,  a base da pirâmide dos vinhos da Borgonha, vinhos genéricos ou regionais.  Vinhos que não necessitam de tempo em garrafa e possuem uma vida “útil” de estimada em cerca de três a quatro anos.

 

Bourgogne Aligoté :  Produzido com a uva Aligoté, gera alguns bons vinhos especialmente em Bouzeron.

 

 

Bourgogne Passe-tout-Grain : Um vinho não muito elaborado, normalmente um corte de Pinot com Gamay, não muito comum por aqui e, normalmente caro para a qualidade. Vinho para ser tomado novo.

 

Village :  São vinhos advindos de uvas cultivadas no planalto que antecede as encostas e, normalmente, o rótulo indica tão somente o nome da comuna. Presumidamente, um nível de qualidade acima dos vinhos regionais e o preço já começa a ficar salgado. Garimpando, se encontram bos vinhos por preços relativamente acessíveis.

 

 

Premier Cru : a elite dos vinhos da Borgonha dos quais existem mais de 560 em toda a região e obedecem a regulamentação específica. As uvas são plantadas no  inicio da encosta. Mas lembre-se :  A classificação indica qualidade, não a garante. Pesquise!

 

 

Grand Cru : A elite das elites existindo somente quarenta e uma em toda a região, das quais sete em Chablis e trinta e quatro na Cote D’Or. Esta classificação, na Cote D’Or, está geográficamente localizada no meio da encosta, onde obtém a melhor exposição solar, o terreno possue maior drenagem e as condições de solo (Calcário/Marga) ideais. Tanto os vinhedos Premier Cru, quanto os Grand Cru, são plantados nas encostas voltadas para o Leste. Estes Grand Crus são os vinhos mais caros da região, sendo poucos os que têm possibilidade de os comprar e apreciar.

 

 Hautes Cotes de Nuit e de Baune :  As zonas das encostas voltadas ao Oeste, protegidas por alta arborização. Região difícil devido à menor insolação dificultando a amadurecimento e mais sujeito a geadas. Um pouco acima do nível de qualidade dos genéricos, próximo aos Village, dependendo do produtor e da safra.

 

 

 O Terroir da Borgonha

  O subsolo borgonhês é em geral calcário ou de rochas aparentemente do Jurássico. Como sua composição é complexa, as condições locais prevalecem. Onde o calcário aflora e as vertentes são escarpadas, o tipo de rocha é muito importante na viticultura. Essa formação do solo e seus efeitos na qualidade do vinho são evidentes na Côte d'Or. Os grands crus de Beaujolais, em compensação, foram implantados em montanhas de origem granítica.

 

   O clima é fresco. Em certos anos, principalmente quando o verão é chuvoso, os bagos de Pinot Noir não atingem a maturidade. Um mês de setembro frio e úmido, fenômeno bastante comum, pode destruir uma safra. Um verão quente demais pode ser fatal à delicada Pinot Noir.

 

   O complexo processo de seleção dos premiers crus e dos grands crus é consequência de séculos de experiência. Essas parcelas são dotadas de um microclima adequado, de uma situação privilegiada e de um solo propício.

Bordeaux

 

 

  Bordeaux é, sem dúvida, a região vinícola mais prestigiosa da França, e com maior número de vinhos de alta qualidade. Situa-se na região sudoeste, na costa da atlântica da França, junto à foz do rio Gironde e se estende em torno da cidade de Bordeaux que lhe empresta o nome.

  Os terrenos são, de modo geral, bastante planos e a composição do solo favorece a drenagem. Na margem esquerda do Garonne e do estuário do Gironda predominam os solos arenosos misturados a cascalho (graves, em francês, que dão nome a uma região de Bordeaux cujo solo possui um grosso substrato de cascalho). No outro lado, ao longo da margem direita do Dordogne e do Gironda, a variedade é maior: argila, calcário, areia e cascalhos aparecem em diferentes trechos e muitas vezes se misturam. Já entre os rios Garonne e Dordogne, na área conhecida como Entre-deux-mers (em português, entre dois mares), a composição do solo é basicamente argilo-calcária; este solo mais fértil prejudica o crescimento.

 

  Devido à influência da corrente do Golfo, quente, e à proximidade do amplo estuário do Gironda, o clima é bastante ameno, temperado oceânico. Ao sul das áreas vinícolas, a floresta de Landes protege a região de ventos mais fortes vindos do Atlântico e ajuda a estabilizar a temperatura em épocas muito quentes. A pluviosidade é mediana, mas variável, podendose observar diferenças de distribuição dentro da própria região: o Médoc, por exemplo, costuma receber um maior volume de chuvas por ficar mais próximo ao oceano. A umidade é mais elevada nas regiões à beira dos rios próximas à floresta de Landes, como Sauternes: graças a isso, as uvas brancas são atacadas pelo fungo Botrytis cinérea, responsável pela desidratação das uvas que produzem o vinho doce mais valorizado do mundo.

As 57 sub-regiões AOC de Bordeaux distribuem-se em torno do "Y" formado pelo rio Gironde e seus afluentes, o rio Dordogne, ao norte, e o rio Garonne, ao sul.

Nenhuma região vinícola do mundo produz tantos vinhos de altíssima qualidade como Bordeaux. A maioria deles são tintos, mas sub-regiões como Sauternes e Barsac produzem alguns dos melhores vinhos brancos do mundo.

 Classificação dos vinhos e "AOC's"

 

 AOC Bordeaux, é o Bordeaux básico elaborado com uvas de qualquer parte da região de Bordeaux, seguindo as normas da AOC, e que não tenha sido agraciado com alguma outra classificação especifica. Devem ter um rendimento máximo de 55 hectolitros por hectare e entre 10 e 13º de teor alcoólico. Alguns vinhos de boa qualidade com preços relativamente acessíveis que devem ser tomados relativamente jovens, entre três a quatro anos.

AOC Bordeaux Superieur, é a classificação um degrau acima, que cobre vinhos da mesma região, mas com maior exigência de qualidade, com redução no rendimento máximo para 50 hectolitros por hectare, mesma norma de teor de álcool e exigência de envelhecer por pelo menos 9 meses antes de ser colocado no mercado. Vinhos, normalmente, de maior qualidade, mais estruturados e concentrados, fechados quando jovens podendo ser guardados por cerca de 6 a 7 anos. Vinhos de bons a ótimos com uma enorme variação de preços, mas que ainda dá para bancar.

AOC Regional, gera vinhos normalmente melhores que o Bordeaux Superieur. Por exemplo, um vinho que contenha no rótulo a indicação de Appellation MEDOC Controllée, ou simplesmente Medoc e a denominação Appellation d’Origen Controllée  abaixo, será como um Bordeaux básico, porém produzido dentro das normas do Medoc com uvas de qualquer parte daquela região especifica que, tradicionalmente são bem mais rigidas que a genérica.

 

Estes são os principais sistemas de classificação de AOC’s Regionais com sua escala de qualidade:

       Medoc, sistema Cru Bourgeois de 2003 em que foram auditados 490 chateaus e classificados 247 em ordem de qualidade baseado no terroir, vinificação e outros quesitos técnicos. Ou seja, se você vir um rótulo em que conste Cru Bourgeois, já saberá que; este vinho é produzido no Medoc, que fica na margem esquerda e, conseqüentemente, tem como cepa preponderante a Cabernet Sauvignon.

Cru Bourgueois Excepcionnel – 9 Châteaus 
Cru Bourgeois Superieur – 87 Châteaus
Cru Bourgeois – 151 Châteaus 


Existe também uma nova classificação criada por Decreto Ministerial em Janeiro de 2006, chamada “Crus Artisans” que contempla 44 vinícolas familiares que cuidam de tudo, desde o plantio, passando pela vinificação até à venda de seus próprios vinhos.

              Graves, somente um nível de classificação, Cru Classé dividido por produtores de excelência produtores de tintos, brancos e aqueles que produzem ambos.

Tintos – 7 Châteaus 
Branco – 3 Châteaus 
Tintos & Brancos – 6 Châteaus  


               Saint Emilion, depois da revisão de 2006, 61 vinhos foram classificados como Cru Classé, mas numa metodologia diferente da usada em Graves. Aqui se dividiram como segue:

Premier Grand Cru Classé A – 2 Châteaus
Premier Grand Cru Classé B – 14 Châteaus
Grand Cru Classé – 47 Châteaus 
Nestes segmentos de vinhos classificados nas normas especificas de AOC’s Regionais e Comunais, o vinho melhora bastante e os preços aumentam consideravelmente. Dependendo da classificação dentro da AOC, são vinho para poucos, pois os do topo da pirâmide rivalizam, em preço e qualidade, com os da Classificação de 1855.

AOC Comunal, é quando dentro de uma região de AOC, uma cidade ou vinhedo especifico é AOC, por exemplo Margaux (Medoc) e Montagne (St. Emilion) entre outros. Nem todos são excepcionais, muitos se aproveitam da fama de seus vizinhos bem classificados e da reputação que estes trouxeram para a comuna, mas na maioria são vinhos de boa para ótima qualidade.

  Classificação de 1855, crém de la crém da produção mundial, são uma classe especial de vinhos que se encontram na elite das elites, custam uma fortuna e poucos lhe têm acesso. São um total de 61 vinhos tintos e 27 brancos, divididos em 5 níveis, chamados de Crus, sendo que no topo da pirâmide, Premier Crus,  estão os Chateaus; Haut-Brion, Latour, Margaux, Lafite Rotschild e Mouton Rotschild tendo este ultimo entrado neste “clube” na única revisão efetuada em 1973. Todos estão situados em AOCs da margem esquerda, fundamentalmente nas AOC regionais de Medoc e Graves. Nos brancos são somente 3 níveis, e o único Premier Cru Superieur, sozinho no topo, é o famoso Château D’Yquem. Todos ficam situados nas AOCs de Sautern e Barsac. São vinhos para tomar com mais de 8 anos e por mais 20, 30 ou 40, quando não mais.

         E o Château Petrus, um dos vinhos mais caros do mundo, como ele se encaixa nessas classificações? Esta vinícola está situada na AOC Pomerol, que não tem nenhuma classificação especifica então ele é, “simplesmente” um AOC Pomerol. Na prática, é considerado como um sexto Premier Cru, um verdadeiro ícone no mundo do vinho. Ou seja, tudo isso para que você tenha uma idéia do que é o mundo de Bordeaux. Os grandes experts de vinhos de Bordeaux, são pessoas altamente qualificadas, com décadas de estudos e que vivenciam esse mundo quase que diariamente.