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Espanha

  A Espanha é o país com a maior área de vinhedos do mundo.

  Ocupando mais de 80% da Península Ibérica, seu território possui diversos microclimas, conforme sua constituição geográfica e suas diferentes relações com o Oceano Atlântico, o Mar Mediterrâneo, a França e Portugal.

   Podemos agrupar as localidades produtoras de vinhos em regiões, segundo suas características geográficas e climáticas, constituindo setores que compartilham condições similares para a produção de vinhos.

   Apesar de não ser uma classificação oficial, essa divisão facilita a percepção dos diversos terroir existentes no país. Apresentamos aqui as "regiões" do vinho espanhol e dentro de cada uma delas as Denominaciónes de Origem (DO) ali situadas.

 

  Classificação dos Vinhos Espanhóis:


   A Espanha iniciou em 1997 o estudo de uma nova legislação sobre o vinho. Após 6 anos de discussão entrou em vigor em julho de 2003 a nova “Ley de la Viña y del Vino” substituindo o antigo “Estatuto de la Viña, del Vino y los Alcoholes” de 1970.

  Apesar de persistirem controvérsias quanto às novas definições, a nova legislação vem impulsionando a modernização da vinicultura espanhola, com o surgimento de novas Denominaciónes de Origem (DO), o crescimento das exportações e a elevação de conceito internacional dos vinhos espanhóis.

  A nova lei criou novas categorias de vinhos e melhorou a definição das existentes, representando importante avanço junto às determinações da União Européia e à competitividade exigida pelo comércio internacional.

  Uma novidade importante é a categoria de “Vinho de Qualidade com Indicação Geográfica”, abrigando vinhos de maior qualificação e personalidade que os Vinhos de Mesa e Viños de la Tierra e servindo como categoria ascencional para as DO.

Essa categoria equivale hierarquicamente à IGT da Itália e aos vinhos Regionais de Portugal.

  VINO DE MESA com direito à menção tradicional VINO DE LA TIERRA que tenha sido delimitado levando-se em conta determinadas condições ambientais e de cultivo que possam conferir aos vinhos características específicas.

  

  Sistema de Classificação dos Vinhos:

  VINOS DE CALIDAD CON INDICACIÓN GEOGRÁFICA:

  Produzido e elaborado com uvas procedentes de uma determinada região, comarca ou localidade, cuja qualidade, reputação ou características se devam ao meio geográfico, ao fator humano ou a ambos, no que se refere à produção da uva, à elaboração do vinho e a seu envelhecimento.

  DENOMINACIÓN DE ORIGEN (DO):

  É o nome de uma determinada região, comarca ou localidade que tenha sido reconhecido administrativamente para designar vinhos que cumpram as condições de :

a) Terem sidos elaborados na região com uvas dali procedentes.

b) Desfrutar de um elevado prestígio nos meios comerciais com relação à sua origem;

c) Cuja qualidade e características se devam fundamental ou exclusivamente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos.

d)  Além disso, haver transcorrido pelo menos cinco anos desde seu reconhecimento como Viño de Calidad com Indicação Geográfica.

  AS DOs são regulamentadas e fiscalizadas pelo Conselhos Reguladores, que cuidam das delimitações de território, seleção e autorização de variedades de uvas, determinação e acompanhamento do plantio de vinhedos, análise dos vinhos produzidos e sua certificação.

  DENOMINACIÓN DE ORIGEN CALIFICADA (DOCa):

  Deverá cumprir, além dos requisitos exigíveis para as DO:

a) Que tenham transcorrido pelo menos dez anos desde seu reconhecimento como DO.

b) Se comercialize todo o vinho engarrafado por bodegas inscritas e situadas na zona geográfica delimitada.

c) Conte com um sistema de controle desde a produção até a comercialização com respeito à quantidade e qualidade, que inclua um controle físico-químico e organoléptico por lotes homogêneos de volume limitado.

d) Está proibida a coexistência na mesma bodega com vinhos sem dirreito à DOCa, exceto Viños de Pagos classificados situados no mesmo território.

e) Deverá haver uma delimitação cartográfica, por municípios, dos terrenos aptos a produzir vinhos com direito à DOCa.

 

 

 VINOS DE PAGOS:

  São originários de um pago, entendendo-se por tal um lugar ou sítio rural com características próprias de solo e microclima que o diferenciam e distinguem de outros em seu entorno, conhecido por um nome vinculado de forma tradicional e notória ao cultivo de vinhedos dos quais se obtenham vinhos com predicados e qualidades singulares, e cuja extensão máxima será regulamentada.

 

   Entende-se que existe vinculação notória com o cultivo de vinhedos quando o nome do pago venha sendo utilizado de forma habitual no mercado para identificação de seus vinhos pelo menos por cinco anos.

  Caso a totalidade do pago se encontre incluída no território de uma DOCa, poderá receber o nome de Pago Calificado, desde que cumpra os requisitos exigidos para os vinhos daquela DOCa.

 

 Características para cada Classificação:

 

 

 

 v.c.p.r.d.:  Vinhos de qualidade produzidos em regiões determinadas.

 v.e.c.p.r.d.: Vinos espumantes de qualidade produzidos em regiões determinadas.

 

Para  Vinos de La Tierra e v.c.p.r.d.

1ª “Noble”, Guarda em bodega mínima 18 meses em barril de 600 litros ou garrafa.


2ª “Añejo”, Guarda em bodega mínima 24 meses em barril de 600 litros ou garrafa.


3ª “Viejo”, Guarda em bodega mínima 36 meses em barril de 600 litros ou garrafa.

Só para v.c.p.r.d

1- “Crianza” Guarda em bodega mínima: tintos total 24 meses dos quais 6 em barril de no máximo 330 litros, brancos e rosados: 18 dos quais mínimo de 6 em barril de no máximo 330 litros.

2- “Reserva”, Guarda em bodega mínima: tintos 36 meses dos quais em barrica de no máximo 330 litros 12 meses, brancos e rosado 24 dos quais em barrica de no máximo 330 litros 6 meses.

3- “Gran Reserva”, Guarda em bodega mínima: tintos 60 meses dos quais em barrica de no máximo 330 litros 18 meses. Brancos e rosados 48 dos quais em barrica 6 de no máximo 330 litros 6 meses.

4- “Premium” y “reserva”, para espumantes de qualidade segundo normativa comunitária e espumantes (v.e.c.p.r.d.).

5- “Gran reserva”, para os espumantes v.e.c.p.r.d. amparados pela Denominação Cava, com um período mínimo de envelhecimento de 30 meses.

Vinos de Pago: Genericamente é uma região com características endêmicas, que produzem um vinho singular e que não se encaixa com precisão ou com justiça no sistema de classificação tradicional. É recente a absorção desse termo pela lei que identifica condições para que um vinho seja chamado “de pago”. Não obstante a expressão vem do uso comum e há propriedades produtoras que se identificam como pago ainda que não o sejam por lei.

 Regiões e Sub-Regiões:

 

Andaluzia   

 

 

 

Denominações:


A região vinícola de Andaluzia possui as seguintes denominações:

Condado de Huelva  (DO)

Jerez  (DO)

Málaga  (DO)

Montilla-Moriles  (DO)

 

Cataluña   

 

Denominações :

 

Alella  (DO)

Cava  (DO)

Conca de Barberà  (DO)

Empordá-Costa Brava  (DO)

Monsant  (DO)

Penedés  (DO)

Pla de Bages  (DO)

Priorat  (DO)

 

Tarragona  (DO)

 

 

 

Costa Valenciana

 

 

Denominações :

 

Alicante  (DO)

Almansa  (DO)

Bullas  (DO)

Jumilla  (DO)

Utiel-Requeña  (DO)

Valencia  (DO)

Yecla  (DO)

 

Galícia  

 

 

Denominações :

Bierzo  (DO)

Monterrei  (DO)

Rías Baixas  (DO)

Ribeira Sacra  (DO)

Ribeiro  (DO)

Valdeorras  (DO)

 

Ilhas Atlânticas   

 

 

Denominações :

 

Abona  (DO)

El Hierro  (DO)

La Palma  (DO)

Lanzarote  (DO)

Tacoronte-Acentejo  (DO)

Valle de Guimar  (DO)

Valle de la Orotava  (DO)

Ycoden-Daute-Isora  (DO)

 

Ilhas Mediterrâneas    

 

 

Denominações :

Binissalem-Mallorca  (DO)

Pla I Llevant  (DO)

 

La Mancha - Madrid   

 

Denominações :

La Mancha  (DO)

Mentrida  (DO)

Mondéjar  (DO)

Valdepeñas  (DO)

Viños de Madrid  (DO)

 

 

Norte Central    

Denominações :  

Arlanza  (DO)

Arribes  (DO)

Castilla Y León  (VTCO)

Cigales  (DO)

Ribera del Duero  (DO)

Rueda  (DO)

Tierras de León  (DO)

Toro  (DO)

Valles de Benavente  (VCPRD)

Zamora  (DO)

 

 

 

Extremadura   

 

Denominações :  

Ribera del Guadiana  (DO)

Mentrida  (DO)

Mondéjar  (DO)

Valdepeñas  (DO)

Viños de Madrid  (DO)

Rioja

  Localizada no norte da Espanha, compreende a região do vale do rio Ebro, entre as cidades de Haro, a oeste, Logroño, no centro e Altaro, a leste, e está próxima de Vitoria, a capital do País Basco. Divide-se nas seguintes sub-regiões: Rioja Alta, a oeste, entre Haro a Logroño; Rioja Alavesa, pequena sub-região ao norte da anterior; Rioja Baja, a leste, entre Logroño e Altaro.

  Rioja foi a primeira região vinícola a projetar os vinhos espanhóis no mercado mundial e possui a maior produção do país, produzindo cerca de trezentos e cinqüenta milhões de quilos de uvas e quase duzentos milhões de litros de vinho! Foi também a primeira região a adotar as tipificações Crianza, Reserva e Gran Reserva, hoje adotadas na maioria das regiões.

 

  Foi a primeira região a  ter a denominação mais diferenciada (D.O. Calificada), para a qual todos os vinhos devem ser engarrafados no distrito de Rioja desde 1991.

Produz vinhos encorpados e leves (Claretes) e pequenas quantidades de brancos e rosés. Alguns tintos envelhecidos (Crianza, Reserva e Gran Reserva), particularmente os Marqueses (Marqués de Riscal, Marqués de Arienzo, Marqués de Murrieta, etc) são muito conhecidos e, juntamente com outros vinhos da Rioja pertencem à elite dos vinhos espanhóis.

 

  Os tintos são considerados de excelente qualidade, produzidos com a uva tempranillo, algumas vezes misturada à garnacha e, outras, à cabernet sauvignon. Outras variedades tintas empregadas são a graciano, ácida e aromática, e a mazuelo, que dá estrutura ao vinho. Também se produz brancos das uvas malvasia, garnacha branca e viura, sendo que esta última confere potencial de envelhecimento ao vinho.

Ribera del Duero

  Ribera del Duero é uma região produtora qualitativamente importante, situada num planalto ao norte de Madrid, em Castilla-Leon, disputando hoje a hegemonia dos vinhos tintos espanhóis com a região da Rioja. A região de Ribera del Duero se estende através do largo vale do rio Duero (conhecido como Douro em Portugal), a leste da cidade de Valladolid. O título de DO - Denominación de Origen veio apenas em 1982, mas as Bodegas Vega-Sicilia, na margem oeste da apelação, tem produzido um dos melhores vinhos espanhóis desde o último século.

 

  Por cem anos ou mais a Vega-Sicilia permaneceu sozinha entre os campos de cultura de açucar de beterraba, nas margens do Duero. O potencial da região foi reconhecido por Alejandro Fernandez, que teve papel destacado no considerável desenvolvimento alcançado durante a década de 1980, produzindo vinhos ao estilo internacional, de cor profunda, com grande concentração de frutas maduras e taninos, diferentes dos vinhos da Rioja. Com o sucesso de seu vinho Pesquera, Alejandro estimulou outros produtores da região, que anteriormente vendiam suas uvas para para cooperativas, a vinificar e vender seus próprios vinhos, dando origem a uma nova e promissora região produtora de vinhos finos.

 Geografia, Clima e Solo:

Numa primeira visão, o Vale do Duero não é o local mais adequado para se plantar uvas. Com uma altitude média de 700m a 800m acima do nível do mar, tem um período de plantio relativamente curto. As temperaturas, que podem atingir cerca de 40o C durante o dia, nos meados de julho, caem abruptamente durante a noite. O congelamento das vinhas, comum no inverno, continua a ser uma ameaça também na primavera. No entanto, estes extremos de temperatura parecem ser, na região, um fator positivo na produção de vinhos de alta qualidade. A acidez, que freqüentemente falta nos vinhos produzidos na Espanha central, é muito bem retida pelas uvas que crescem no ar montanhoso rarefeito de Ribera del Duero e as altas temperaturas favorecem a plena maturação das uvas.

Existem várias características em comum com a Rioja: precipitações moderadas, solos compostos de calcáreo, argila e ferro e a mesma variedade de uva.

Viticultura e Vinificação:

 A principal uva da região é a Tempranillo. Esta uva parece ter se adaptado aos extremos climáticos do Duero. O estilo de vinificação adotado procura privilegiar os vinhos de cor intensa, enorme riqueza e concentração, plenos de frutas e taninos, com influência moderada da madeira, adaptados ao gosto internacional. A exceção fica por conta do Vega-Sicilia Único, que é produzido dentro dos moldes tradicionais.

  Outras uvas tintas como a Cabernet Sauvignon, a Merlot e a Malbec só são permitidas em vinhedos experimentais e são, teoricamente, confinadas por lei a vinhedos como os da Vega-Sicilia, onde foram plantadas no século 19. A uva Garnacha é utilizada para a produção de vinho rosé.