© 2009 InfoVINHO I Confraria Black Tie

Brasil

 

Em 1532 foram trazidas para o Brasil as primeiras videiras, com a expedição colonizadora de Martim Afonso de Souza. O fundador da cidade de Santos, em São Paulo , Brás Cubas, foi o primeiro a cultivar a vinha em nosso país.

 

A viticultura, no Brasil, ocupa uma área de, aproximadamente, 77 mil hectares, com vinhedos estabelecidos desde o extremo sul do país, em latitude de 30º 56’ 15’’S, até regiões situadas muito próximas ao equador, em latitude de 5º 11’ 15’’S. Em função da diversidade ambiental, existem pólos com viticultura característica de regiões temperadas, com um período de repouso hibernal; pólos em áreas subtropicais, onde a videira é cultivada com dois ciclos anuais, definidos em função de um período de temperaturas mais baixas, no qual há risco de geadas; e, pólos de viticultura tropical, onde é possível a realização de podas sucessivas, com a realização de dois e meio a três ciclos vegetativos por ano. A produção de uvas é da ordem de 1,2 milhões de toneladas/ano. Deste volume, cerca de 45% é destinado ao processamento, para a elaboração de vinhos, sucos e outros derivados, e 55% comercializado como uvas de mesa.


   Do total de produtos industrializados, 77% são vinhos de mesa e 9% são sucos de uva, ambos elaborados a partir de uvas de origem americana, especialmente cultivares de Vitis labrusca, Vitis bourquina e híbridos interespecíficos diversos. Cerca de 13% são vinhos finos, elaborados com castas de Vitis vinifera; o restante dos produtos industrializados, 1% do total, são outros derivados da uva e do vinho. Grande parte da produção brasileira de uvas e derivados da uva e do vinho são destinados ao mercado interno. O principal produto de exportação, em volume, é o suco de uva, sendo cerca de 15% do total destinado ao mercado externo; apenas 5% da produção de uvas de mesa é destinada à exportação e menos de 1% dos vinhos produzidos são comercializados fora do país.


   O mundo inteiro está descobrindo o vinho brasileiro. O Brasil tem desenvolvido uma capacidade excepcional para a produção de vinhos de qualidade. Atualmente o país é considerado uma das melhores regiões no mundo para o cultivo de uvas destinadas a produção de vinhos espumantes. O Brasil exporta hoje vinhos para 22 países, dentre os principais destacamos Estados Unidos, Alemanha, Inglaterra e República Tcheca.

 

 

 Regiões Produtoras:

 Sul de Minas

 

  A RegiãoA produção de vinhos do Estado de Minas Gerais está concentrada na região sul do Estado, mais especificamente nos municípios de Andradas e Caldas. Nestas localidades predomina o cultivo das videiras americanas que, por serem mais rústicas, adaptadaram-se bem às condições de clima da região, notadamente ao período chuvoso, que coincide com a época de maturação das uvas. Utilizam-se predominantemente as variedades Jacquez e Bordô (conhecida na região como folha de figo) para a elaboração de vinhos tintos e Niagara branca para vinhos brancos.

  Diversos projetos de desenvolvimento de produção de vinhedos e vinhos de variedades viníferas estão sendo realizados.

  Possui 32 estabelecimentos vinícolas.


  HistóricoAndradas é, de longa data, considerada a cidade das vinícolas. Herança dos imigrantes, principalmente italianos, que chegaram ao pequeno vilarejo e viram nas lavouras a chance de começar uma nova vida. Levas de descendentes italianos vieram pra cá para trabalhar nas plantações de uva, egressos pela chance de trabalho surgida com a abolição da escravatura.

 

  A cidade chegou a ter 40 adegas há trinta anos. Atualmente, apenas oito sobreviveram às adversidades do tempo. É pouco. Existiam mais de 50 famílias ligadas à produção de vinho em Andradas, poucas resistiram.

  Existem várias versões quanto ao início do plantio da videira no município de Andradas, mas acredita-se ter sido o Coronel José Francisco de Oliveira, o responsável pelo surgimento da uva, no final do século XIX.

  Com a chegada dos colonos italianos, incrementou-se o plantio da videira e algumas adegas foram surgindo. Algumas famílias italianas aqui se estabeleceram por volta de 1905 a 1910 – e deram atenção especial às videiras, pois estavam familiarizados com elas, tendo sido esta e a lavoura de café as atrações que os trouxeram.

  Os parreirais plantados inicialmente, tomaram novo impulso com a chegada destes imigrantes, que arregaçando as mangas, dedicaram-se à cultura da uva e do vinho.

Foi então que surgiram as pequenas adegas, que inicialmente fabricavam o vinho para o próprio consumo. Algumas mais afoitas colocaram seus produtos no mercado e obtiveram uma boa aceitação. Passaram então a fazer uso do vinho como meio de vida, assim surgiram os vinicultores, firmando a produção vinícola neste município.

   A história da uva e do vinho em Andradas mistura-se portanto, com a história do desenvolvimento do município e do seu povo, que tem a garra e a perseverança como principais qualidades, tornando Andradas conhecida em todo território nacional como a Terra do Vinho.

  A Região Andradas está a 560 quilômetros da capital do estado, Belo Horizonte.

  O município tem como rio principal o Jaguari-Mirim, que atravessa a parte central do município vindo de Ibitiúra de Minas, onde se localiza sua nascente. Na porção norte destacam-se os ribeirões do Tamanduá e das Antas.

 

 

Regiões em Santa Catarina

 

Caçador  

 

     

  A Região Caçador (do Estado de Santa Catarina) localiza-se no meio-oeste do Estado, no Alto Vale do Rio do Peixe, com uma área de 1.009,8 km².

A região Caçador está inserida na região Planalto Catarinense.


  As margens do Rio do Peixe eram habitadas por índios das etnias Kaingang e Xokleng até 1881, quando famílias de origem européia se estabeleceram no local e, devido à abundância da caça, denominaram o local de "Rio do Caçador".

  Francisco Corrêa de Melo, que veio de Campos Novos e se estabeleceu às margens do rio Caçador em 1881, é considerado o primeiro morador de origem portuguesa, que foi seguido, em 1887, por Pedro Ribeiro e, em 1891, por Tomaz Gonçalves Padilha, que se estabeleceu no rio 15 de Novembro.

 Com a construção da ferrovia São Paulo – Rio Grande do Sul, de 1908 a 1910, a colonização intensificou-se com imigrantes de origem italiana, alemã, polonesa e sírio-libanesa. Em 1910, os trilhos chegaram a Caçador e atraíram grande número de imigrantes de origem italiana, vindos principalmente do Rio Grande do Sul. Com a colonização do núcleo de Rio das Antas, pela Brazil Railway Co. estabeleceram-se no município muitos colonos teuto-brasileiros oriundos do litoral de Santa Catarina.

 

  O município de Caçador fica no coração da região onde, de 1912 a 1916, ocorreu a chamada Guerra do Contestado.

  Em 1918 foi instalada a primeira agência postal, onde já existia um posto de rendas estaduais. A construção da estrada Caçador/Curitibanos, em 1933, impulsionou o desenvolvimento da região. Em 1923, criado com a denominação de Rio Caçador, tornou-se distrito subordinado ao município de Campos Novos. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933, o distrito de Rio Caçador figura no município de Curitibanos.

  O crescimento da população e das indústrias madeireiras ocasionaram a criação do município, estabelecido em 25 de março de 1934, desmembrado dos municípios de Curitibanos, Campos Novos, Cruzeiro e Porto União.

Clima: Média anual de 16,6ºC. Clima temperado.
Chuvas: Precipitação total entre 1.600 e 1.800 mm/ano

Solos: Terra-roxa originada da decomposição das rochas basálticas.

 Campos Novos   
 

    A RegiãoÉ considerado o Celeiro Catarinense por ser considerado o maior produtor de grãos do estado. Sua região urbana tem aproximadamente 24.096 habitantes, e rural de 6.195 habitantes.

 A região Campos Novos está inserida na região Planalto Catarinense.


  As terras camponovenses tiveram como primeiros donos os indígenas. Os Kaigangs habitavam essa região e viviam da pesca e caça, coletavam raízes e frutos das matas, pinhão, amora, jabuticaba e pitanga. Os europeus foram ocupando gradativamente as terras indígenas a partir dos séculos XVII e XVIII.A colonização de Campos Novos teve início entre 1825 e 1830, quando se estabeleceu na região o fazendeiro João Gonçalves de Araújo, procedente de Curitibanos. Mais tarde vieram muitos gaúchos que fugiram da guerra dos Farrapos.

 

  Igualmente, vários fazendeiros oriundos de Lages também se instalaram na região, incentivados pela quantidade de terras e as pastagens. Em seguida vieram os paranaenses e paulistas, com o objetivo de obterem terras ideais para a criação de gado. Várias famílias se instalaram na região, por encontrarem fazendas a preços convidativos.

 

  Também a importância do Tropeirismo para o contexto camponovense, pois por aqui passavam tropas oriundas dos pampas gaúchos. Durante muito tempo, os tropeiros traziam notícias, novidades e foram eles que introduziram o chimarrão, o churrasco e a indumentária gaúcha.

 

 

Clima: Temperado, sem seca, com verão fresco e baixas temperaturas no inverno
Chuvas: Média anual de 1.460 a 1.820 mm
Temperaturas: Média anual de de 15,8 a 17,9ºC. Podem ocorrer de 12 a 22 geadas por ano.

Solos: Solos profundos, bem drenados, muito ácidos, com reduzida reserva de nutrientes.      

     

 São Joaquim    

       A RegiãoSão Joaquim é um município brasileiro do estado de Santa Catarina, com área de 1.888,1 km².Sua população estimada em 2004 era de 23 114 habitantes.

     As principais atividades econômicas do município são a agricultura (com o cultivo de frutas de clima frio, como a maçã) e o turismo.

    São Joaquim também promove a Festa Nacional da Maçã, freqüentada por muitos turistas, que apreciam sua gastronomia, sua hospitalidade e seu clima frio.

   LocalizaçãoA região São Joaquim está inserida na região Planalto Catarinense.

   Cidade fundada em 7 de maio de 1887. Colonização portuguesa, gaúcha, paulista, alemã, espanhola e italiana.     

Clima: Temperado seco com invernos rigorosos
Chuvas: Média anual de 100 mm
Temperaturas: média anual de 13°C. Durante os meses de inverno é comum a ocorrência de geadas e rara a ocorrência de neve. A temperatura mínima atingida oficialmente foi de -10°C.
Solos: tipo pedregoso de perfil profundo e excelente drenagem

 Vale do São Francisco

  Situado entre Pernambuco e Bahia, caminha para ser um dos importantes produtores vitivinícolas do país. Responsável por 99% da uva de mesa exportada pelo Brasil e pela produção de 5 milhões de litros de vinho por ano, o vale vem se destacando como modelo de desenvolvimento para o Nordeste. A vinicultura pernambucana/baiana já detém 15% do mercado nacional e emprega diretamente 30 mil pessoas no Vale do São Francisco, única região do mundo que produz duas safras e meia por ano.

 

  Apesar do pouco tempo de emancipação política, o município de Lagoa Grande já ostenta uma história promissora. A localidade, que em 1997 deixou de ser distrito de Santa Maria da Boa Vista para ser elevada à categoria de cidade, hoje é um dos destaques do Pólo Vitivinícola de Pernambuco. O município possui uma produção anual de 20,5 milhões de kg de uvas e de sete milhões de litros de vinho, exportando parte deste volume para outros países e diversos estados brasileiros.

    Em Lagoa Grande, conhecida em todo o Brasil como a capital da uva e do vinho do Nordeste, existem cerca de dez vinícolas, responsáveis pela geração de 10,5 mil empregos.

 

  A Festa da Uva e do Vinho oferece aos visitantes e moradores de Lagoa Grande diversas atrações. Além de degustar as uvas e vinhos da cidade, os participantes do evento podem conhecer algumas fazendas da região para passear entre as videiras e verificar todas as etapas de produção vinícola, desde o plantio da uva até o acondicionamento do vinho.

  

  O pólo reúne os municípios de Lagoa Grande, Santa Maria da Boa Vista e Petrolina. Como parte dos planos de criação do Pólo Vitivinícola, o governo está implantando e pavimentando a Estrada da Uva e do Vinho. A via, de 72 km de extensão, parte da BR-428, em Lagoa Grande até Santa Maria da Boa Vista, margeando o Rio São Francisco. A rodovia viabilizará o escoamento da produção vitivinícola, facilitando o acesso aos novos empreendimentos fixados na região. Ao longo da rodovia já estão sendo instaladas 28 fazendas especializadas no plantio de uva, bem como duas adegas. Na extensão em que a estrada margeará o rio São Francisco será erguido um píer de atracação. Aproveitando o fato de que no Vale são produzidas duas safras e meia por ano, o governo, em parceria com os empresários, pretende implantar uma rota da uva e do vinho que abrigue fazendas voltadas também ao segmento turístico. Serão desenvolvidas programações especiais para a época da colheita. Além de passear entre videiras, o turista poderá amassar uvas com os pés e degustar vinhos de diversas marcas.

 As uvas mais cultivadas são:

    

Variedades Tintas: Syrah, Cabernet Sauvignon.

Variedades Brancas: Moscatel, Muskadel, Chardonnay, Sauvignon Blanc, Silvaner, Moscato Canelli.

 

 Regiões no Rio Grande do Sul

  

 

Campanha Gaúcha   

 

      

  A Campanha Gaúcha fica quase na fronteira com o Uruguai, bem próxima do início da faixa tradicionalmente considerada ideal para a vitivinicultura, entre os paralelos 30º e 50º. As condições climáticas são melhores que as da Serra Gaúcha e tem-se avançado na produção de uvas européias e vinhos de qualidade.

Com o bom clima local, o investimento em tecnologia e a vontade das empresas, a região hoje já produz vinhos de grande qualidade que vêm surpreendendo a vinicultura brasileira.

    A região da Campanha Gaúcha se estende ao longo da fronteira com o Uruguai, tendo como principais referências os municípios de Bagé, Dom Pedrito e Santana do Livramento.

   

 As uvas mais cultivadas são :

     

Variedades Tintas: Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Tempranillo, Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz, Teroldego, Malbec, Carmenere, Cabernet Franc.

Variedades Brancas: Chardonnay, Gewurstraminer, Pinot Grigio, Sauvignon Blanc.

 

 

 

 Serra do Sudeste  

 

    A Serra do Sudeste fica próxima ao extremo sul do Rio Grande do Sul, entre as cidades de Pinheiro Machado e Encruzilhada do Sul, caracterizando-se pela conformação serrana ondulada e altitudes medianas. Nessa região as temperaturas médias mais baixas e menor pluviosidade criam boas condições para uma vinicultura de qualidade.

   A região Serra do Sudeste possui a sub-região Pinheiro Machado.

  As uvas mais cultivadas são :

   

Variedades Tintas:  Barbera, Cabernet Franc, Cabernet Sauvignon, Merlot, Periquita, Teroldego, Marselán, Pinot Noir, Ancelota, Malbec, Touriga Nacional, Gamay, Arinarnoa, Alicante Bouschet

Variedades Brancas:  Chardonnay, Gewürztraminer, Malvasia de Cândia, Sauvignon Blanc, Riesling

 Serra Gaúcha   

    Situada a nordeste do estado, a região da Serra Gaúcha é a grande estrela da vitivinicultura brasileira, destacando-se pelo volume e pela qualidade dos vinhos que produz. Para qualquer enófilo indo ao Rio Grande do Sul, é obrigatório visitar a Serra Gaúcha, especialmente Bento Gonçalves.

 

A região da Serra Gaúcha está situada em latitude próxima das condições geo-climáticas ideais para o melhor desenvolvimento de vinhedos, mas as chuvas costumam ser excessivas exatamente na época que antecede a colheita, período crucial à maturação das uvas. Quando as chuvas são reduzidas, surgem ótimas safras, como nos anos 1999, 2002, 2004, 2005 e 2006.

   As uvas mais cultivadas são :

 

Variedades Tintas: Pinot Noir, Cabernet Sauvignon, Merlot, Carmenére, Tannat, Cabernet Franc, Pinotage, Ancelota, Gamay Beaujolais.

Variedades Brancas: Chardonnay, Moscato Bianco, Malvasia, Prosecco, Gewurztraminer, Malvasia Bianca, Semillon, Flora, Trebiano.

Variedades de Mesa: Niágara, Couderc 13, Seyve, Villard, York Madera, Isabel, Concord, Seibel, Hebermont, Bordô.

 

A região Serra Gaúcha possui as seguintes sub-regiões:

  • Antônio Prado

  • Bento Gonçalves

  • Campos de Cima da Serra

  • Canela

  • Casca

  • Caxias do Sul

  • Cotiporã

  • Farroupilha

  • Flores da Cunha

  • Garibaldi

  • Monte Belo do Sul

  • Nova Pádua

  • São Marcos

  • Vale dos Vinhedos

  • Veranópolis

  • Vinhedos de Monte Belo

  • Vinhos de Montanha