© 2009 InfoVINHO I Confraria Black Tie

Austrália

No ano de 1788, com a chegada de um navio inglês com 300 presos e servidores penitenciários, foi fundada a cidade de Sydney. A ordem foi do capitão do navio Arthur Phillip (1738-1814), o qual tornou-se o primeiro governador de New South Wales. Ele ordenou também que a vinicultura, em um clima de tão severa perfeição, pode ser atividade explorada.  As cepas trazidas na viagem foram plantadas (onde hoje fica Farm Cove). No entanto, após 200 anos, é que a vinicultura na Austrália pode se estabelecer. Nas primeiras décadas, foi consumida excessiva quantidade de rum.

   O pioneiro, considerado pai da vinicultura australiana, foi o escocês James Busby (1802-1871), que possuía conhecimento da vinicultura francesa.

   No ano de 1825, ele fundou, no norte de Sydney, em Hunter Valley, uma fazenda, que até hoje pertence a uma das melhores regiões de vinhedos da Austrália. De uma viagem à Europa, ele trouxe a uva Syrah, que tornou-se conhecida como Shiraz na Austrália. Busby publicou obras importantes sobre vinicultura no país.

  No ano de 1845, o médico, Dr. Christopher Penfold, fundou sua vinícola em Barossa Valley, que existe até hoje como Penfolds. Um segundo pioneiro foi o alemão Joseph Ernest Seppelt (1813-1868) e sua vinícola Seppeltfield. John Riddoch (1827-1901) inaugurou plantações de uvas, no início de 1890, em Coonawarra, iniciando um verdadeiro boom. Importante na história da vinicultura australiana também é Thomas Hardy, que, no ano de 1853, fundou sua vinícola no vale McLaren e o suíço Hubert de Castella (1825-1907) e sua vinícola no Yarra Valley.

   No ano de 1919, foi criado em Merbein na região do Riverland (Victoria) um instituto de pesquisas sobre vinicultura, hoje tão importante quanto o CSIRO. Há ainda a AWRI e a Charles Sturt University, que estudam a vinicultura. Durante mais de 100 anos, foram intensamente produzidos vinhos doces de alto teor alcoólico, chamados „Australian Port“. A partir dos anos 60, passaram a ser apreciados os vinhos brancos frescos. Esse desenvolvimento se deve também ao escritor e enólogo Len Evans (1930-2006). Também Max Schubert (1915-1994), que produziu em 1959 o „Grange Hermitage“, um bordeaux semelhante ao Penfolds. Esse vinho incentivou a produção de vinhos tintos de qualidade, do Cabernet Sauvignon, Merlot, Pinot Noir e Shiraz.
 

  Há algumas gerações, a Austrália passou a ser um país apreciador de vinho. Os vinhedos ocupam cerca de 160.000 hectares. No ano de 2011, foram produzidos cerca de 17 milhões de hectolitros  de vinho. Cerca de 80% são produzidos por Multis Hardy, Mildara, Orlando, Southcorp e Yalumba com suas vinícolas filiadas. A qualidade é excelente, e os enólogos australianos são cobiçados internacionalmente. Cerca de 70% da produção é massificada, chamada de Bag-in-Box-Wine. Uvas de mesa e uvas passas também são produzidas em quantidade. Produtores renomados são Beringer Blass, Brand´s, Coldstream Hills, Glaetzer, Hardy, Heggies, Hill Smith Estate, Katnook Estate, Lindemans, McWilliams, Mildara, Mitolo, Orlando, Penfolds, Peter Lehmann, Pewsey Vale, Rosemount Estate, Rothbury Estate, Rymill, Seppelt, Southcorp, Taltarni, Wynns e Yalumba. Cerca de 40% da produção é de vinho branco, enquanto 60% são de vinho tinto.  

       Nas vinícolas australianas  os enólogos utilizam técnicas de vinificação muito bem estabelecidas e executadas com extrema maestria.

      Hoje, estes enólogos, auto intitulados "flying winemakers", estão viajando por todo o mundo, ensinando estas técnicas a outros produtores, mesmo em países com enorme tradição na produção de vinhos.  Estas técnicas incluem o rigoroso controle de higiene em todo o processo de vinificação, uso de tanques de aço inoxidável com controle de temperatura para a fermentação do mosto, uso de leveduras selecionadas, uso maciço de madeira por curtos períodos de tempo, mistura de uvas de diferentes regiões vinícolas e eventuais correções na acidez do mosto, durante a fermentação alcoólica. Esta sumária descrição de técnicas é na verdade uma simplificação grosseira do que realmente ocorre e se aplica primariamente à grande maioria dos vinhos australianos, que são produzidos em quantidades relativamente grandes, com uvas colhidas invariavelmente por meios mecânicos.

    Os grandes vinhos australianos costumam ter um processo de vinificação bem mais elaborado e complexo, sendo cada vez com mais freqüência a expressão de determinados "terroirs".  Hoje na Austrália existem cerca de 800 vinícolas, porém apenas quatro grandes companhias vinícolas, que respondem por cerca de 80% dos vinho produzidos: BRL Hardy, Mildara-Blass, Orlando e Southcorp Wines. A maior restrição que os puristas fazem aos vinhos australianos é que os mesmos não possuem identidade própria, sendo muito parecidos entre si, não expressando diferenças de região ou microclima. Talvez haja uma dose de razão neste tipo de crítica, porém a elevada qualidade de grande parte dos vinhos australianos, sua enorme disponibilidade na imensa maioria dos casos e sua imbatível relação custo/benefício talvez expliquem de maneira convincente o enorme sucesso que estes vinho vêm obtendo em todo o mundo.

 Regiões Produtoras:

 

 
New South Whales 

 Sub-Regiões:

Canberra District

Cowra

Gundagai

Hastings River

Hilltops

Hunter Valley

Mudgee

Orange

Perricoota

Riverina

Shoalhaven Coast

Southern Higlands

Tumbarumba

 

 


Queensland

 

 Sub-Regiões:

Granite Belt

South Burnett

 

South Australia  

 

 Sub-Regiões:

Adelaide Hills

Adelaide Plains

Barossa Valley

Claire Valley

Coonawarra

Currency Creek

Eden Valley

Kangaroo Island

Laghorne Creek

McLaren Valley

Mount Benson

Padthaway

Riverland

Robe

Southern Fleurieu

Southern Flinders

Wrattonbully

 

Tasmania

 

 


Victoria  

 

Sub-Regiões:

Alpine Valleys

Beechworth

Bendigo

Geelong

Gippsland

Glenrowan

Goulburn Valley

Gramplans

Heathcote

Henty

King Valley

Macedon Ranges

Mornigton Peninsula

Murray Darling

Pyrenees

Rutherglen

Strathbogie Ranges

Sunbury

Swan Hill

Upper Goulburn

Yarra Valley

 

Western Australia   

 

Sub-Regiões:

Blackwood Valley

Geographe

Great Southern

Manjimup

Margaret River

Peel

Pemberton

Perth Hills

Swan District

 Sobre Barossa Valley:

 Famosa região da zona de Barossa, dividida em12 sub-regiões.
    Foi colonizada por alemães da Silésia a partir de 1842. é a região vinícola mais importante do país, mas não vitícola, sendo sede de muitas e grandes vinícolas, que processam uvas de diversas fontes. Usa uma viticultura tradicional, com poda em arbusto
e sem irrigação.


 Localiza-se no paralelo 34°S, com clima típico mediterrãnico, classificado como Wincler-III, com 1.710 graus-dia. Apesar do alto índice de insolação, tem fortes semelhanças com a francesa Bordeaux e a própria australiana Margaret River, sendo ideal para tintos encorpados e brancos robustos.A pluviosidade anual é de 520 mm.

 Em 1996, as castas brancas prevaleciam nos vinhedos,com 50% sendo as mais significativas a Riesling, a Sémillon e a Chardonnay. Hoje, quase todo o vinho de riesling produzido pelas vinícolas locais provém de frutos colhidos fora do vale, usualmente do Eden Valley.

 As principais variedades tintas são : Shiraz, Cabernet Sauvignon, Grenache e Mourvédre.
 A Shiraz é a variedade tinta mais plantada, originando os melhores vinhos australianos desta casta.

 

 Sobre Eden Valley:

 

  É mais fria que a vizinha Barossa Valley, com quem divide raízes históricas.


  É  classificada como Winkler-II, com 1.390 graus-dia. situa-se na latitude 34°S, a uma altitude de 380 a 500 metros.

  Os vinhedos mais elevados favoressem as brancas. O nível de chuvas anuais é de 750 mm.

   A Riesling, além de mais cultivada, faz a reputação da região, que briga com Clare Valley pela supremaciano país. Relativamente nova na região, a Chardonnay mostra potencial para elaborar brancos complexos.


  As tintas mais cultivadas são: Shiraz, Cabernet Sauvignon e a Pinnot Noir.

 Sobre Clare Valley:

   Antiga região de grande beleza paisagística e com cativante arquiteturade época.


   A influência germânicaé menos fortedo que em Barossa, pela presença de colonos de outras procedências, tais como britânicos, austríacos e poloneses.

 

  Das sete sub-regiões exixtentes, a mais conhecida é Polish Hill.

 

  O clima é moderadamente continental, com dias mornos a quentes e noites frias. Apesar de incluída no tipo Winkler-III, com 1.770 graus-dia, a situação dos melhores vinhedos, por causa das altitudes, é bem mais amena.

  O regime de chuvas é de 630 mm anuais.

  Localiza-se no paralelo 33°S.

 Sobre Adelaide Valley:

  É uma das melhores e mais frias regiões australianas, cortada pelo paralelo 35°S.

  Separou-se recentemente da vizinha Eden Valley.

  Duas de suas 12 sub-regiões já foram oficializadas: Lenswood e Picadilly Valley.


  Tem clima frio, com 1270 graus-dia, caindo na faixa de Winkler-I. Com 1.120 mm de pluviosidade anual, é a região mais chuvosa do Estado.