Apesar de a vinha ser cultivada no Reino Unido há milhares de anos, aprodução de vinho quase se extinguiu no início do séc. XX. A indústria renasceu com o vinhedo Hambledon, nos anos 50, e desde então vem fazendo grandes progressos. O país ainda é o menor produtor da Europa, mas hoje possui 115 vinícolas e quase 400 vinhedos. Embora a maioria se concentre no sul da Inglaterra, também há produtores em Gales, Yorkshire e mesmo no norte, em Durham. A viticultura comercial só é possível em latitudes tão setentrionais devido aos efeitos moderadores do clima marítimo e da corrente do Golfo. As temperaturas baixas ao longo de toda a temporada quase sempre obrigam os produtores a colher as uvas tardiamente, em outubro ou novembro. A quantidade e a qualidade da produção pode variar muito entre as safras em função de geadas na primavera, do apodrecimento e da dificuldade de atingir o amadurecimento pleno.
    As cepas cultivadas no Reino Unido são selecionadas entre as que podem enfrentar essas condições difíceis. As alemãs são as mais comuns, como a Müller-Thurgau, de rápido amadurecimento, a Reichensteiner, a Huxelrebe e a Schönburger. A Madeleine Angevine também é freqüente, assim como a híbrida Seyval Blanc.

    O estilo típico dos vinhos britânicosé seco e aromático, com médio corpo. Alguns produtores demonstraram o potencial de cepas convencionais, como Chardonnay, Riesling e mesmo a tinta Merlot, que se saem bem em safras mais quentes, como a de 2003, e podem atingir excelente desempenho se o aquecimento global continuar.As vinícolas também vêm testando vinhos de colheita tardia ou de sobremesa, além de tintos Pinot Noir ou Teinturier. A senda mais promissora é a dos espumantes, para os quais a base perfeita está justamente em vinhos neutros e ácidos, de produção relativamente fácil em clima frio. 


  Variedades mais cultivadas : 

   Tintas :  Pinot Noir, Teinturier.

   Brancas : Müller-Thurgau, Reichensteiner, Schönburger, Madeleine Angevine, Seyval Blanc.

 

 

  Sobre a Inglaterra

 

  

    Há cinquenta anos, o vinho inglês não passava de uma piada. “Fazer vinho era para os muito excêntricos. Era bebido como uma curiosidade e frequentemente cuspido fora,” diz Richard Selley, professor de geologia no Imperial College, em Londres, e autor do livro As Vinhas da Grã-Bretanha. O vinho era feito na Grã-Bretnha desde que os romanos o importaram, há 2 mil anos. Mas o declínio da produção começou no século 17, e ela praticamente desapareceu depois da Primeira Guerra. O clima frio e chuvoso da Inglaterra não fornece o número suficiente de dias mais quentes e luz do sol que mesmo as uvas mais resistentes ao frio precisam para amadurecer apropriadamente e serem transformadas em um produto comercial.

    Daí veio a mudança do clima Entre 1961 e 2006, a temperatura no sul da Inglaterra aumentou em uma média de 0.16Cº. E o vinho voltou correndo.

    Hoje, há cerca de 400 vinhas comerciais. Vinhos espumantes andam batendo seus rivais franceses em competições internacionais. “Nós percebemos que o clima melhorou consistentemente. O tempo melhorou, o período de amadurecimento ficou mais longo, e a cada ano temos frutas de qualidade,” afirma Chris White, gerente da Denbies Wine Estate em Dorking, Inglaterra, a maior do país, com 265 acres. A Denbies está antecipando um futuro ainda mais quente. Em 2010, plantou sete acres de Sauvignon Blanc, uma uva originária da região mais quente de Bordeaux, na França.